Cotidiano

Registros Analógicos

September 12, 2018

Fotografar com filme é uma experiência completamente diferente de fotografar com câmera digital e há algum tempo a saudade dessa experiência bateu em mim e eu resolvi colocar um filme na câmera e ver no que ia dar. Meu amor pela fotografia está muito ligado à fotografia analógica porque ele nasceu quando eu comecei a fotografar com a Olympus Trip 35 em 2007 (contei melhor nesse post aqui). Eu não fotografava com câmera analógica há MUITO tempo e não sabia se ainda lembrava como era mexer em tudo. Resolvi pegar uma câmera sem fotômetro só pra ser mais emocionante mesmo e claro que várias fotos saíram superexpostas.

A câmera usada foi uma Ricoh 35 ZF que tem um funcionamento similar ao da Olympus Trip 35, especialmente em relação ao foco que você meio que tem que adivinhar a distância do que você quer que esteja no foco. Esse é outro ponto que eu errei bastante e perdi algumas fotos. Mas faz parte de toda a experimentação e o fato de não ter um foco cravadão, é algo que me atrai bastante nessas câmeras porque contribui muito pra essa estética meio de sonho que eu procuro na hora de criar imagens.

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Cultura, Kiev

Show da Onuka + NAONI

September 4, 2018

A artista ucraniana Onuka vem fazendo uns shows com a NAONI, uma orquestra nacional de instrumentos folclóricos ucranianos e esse ano eu finalmente consegui vê-los ao vivo. A primeira vez foi no inverno, no belíssimo Centro Internacional de Cultura e Artes, também conhecido como Palácio de Outubro. Esse palácio está localizado na rua Instytutska, do lado da Maidan Nezalezhnosti. Não só foi a primeira vez que vi a apresentação da Onuka com a NAONI, mas foi também a primeira vez que visitei esse palácio e ele é lindíssimo por dentro. Uma perfeita locação para um filme do Wes Anderson.

Porém, as fotos desse post foram feitas em outro show da Onuka+NAONI, uma apresentação gratuita que aconteceu no dia 26/04, data que o acidente de Tchernóbil completou 32 anos. A cantora/compositora Natália Zhyzhchenko foi diretamente afetada por essa tragédia, já que o pai dela trabalhava em Tchernóbil e recebeu uma alta dose de radiação. Em 2016, o acidente nuclear completou 30 anos e Onuka lançou o EP “Vidlik”. A música “1986” faz parte desse EP e faz referência ao ano em que o acidente ocorreu. As duas fotos abaixo são do momento da apresentação dessa música e as projeções do telão são do videoclipe que mostra a vida selvagem que retornou a Tchernóbil após a evacuação dos seres humanos. Você pode assistir o vídeo clicando aqui.

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Gastronomia, Viagens

Uma semana em Moscou – Comidas

September 1, 2018

Comida é um tema que preocupa algumas pessoas na hora de viajar para um país desconhecido, mas garanto que de fome ninguém morre em Moscou. Como qualquer cidade grande, a capital russa oferece uma variedade enorme de restaurantes (com menu em inglês) para todos os gostos e bolsos e tudo o que eu comi lá estava ótimo. Acabei não provando muito as comidas locais porque não são novidade pra mim, já que em Kiev eu encontro todas elas. Mesmo assim, não deixei de registrar o blini (foto acima) que é uma boa opção de café da manhã para quem é vegetariano. Ele vem acompanhado de geléia e smetana que eu adoro. Não deixe de provar a smetana, pois além de deliciosa, é bem típica dessas bandas do leste europeu.

Tomei café da manhã todos os dias no Paul (rede francesa) e no Le Pain Quotidien (rede belga) porque ficavam pertíssimo do hotel onde fiquei hospedada. No dia que eu queria tomar capuccino, ia no Le Pain Quotidien que oferece a opção com leite vegetal (soja, côco e amêndoas) no menu. É um bom lugar com opções veganas e vegetarianas para almoçar ou jantar também e tem várias unidades espalhadas pela cidade. A única pegadinha é que você vai encontrar o nome na fachada traduzido para russo e escrito em cirílico que nem na foto abaixo.

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Cotidiano

Ensaio That Gum U Like

August 28, 2018

Que cinema e música são uma grande inspiração e referência para as imagens que crio acho que não é novidade pra ninguém, até porque elas já foram várias vezes comparadas ao trabalho do cineasta Wes Anderson. O mais interessante é que o trabalho dele nunca foi uma referência consciente pra mim, mas claro que fico lisonjeada com a comparação, já que ele tem uma grande preocupação estética e sabe trabalhar muito bem com as cores, as simetrias e o lúdico, elementos que eu uso bastante também.

Outro elemento que eu busco na hora de editar as fotos, é dar um clima de sonho. E se tem um cineasta que trabalha muito bem essa temática, esse cara é o David Lynch. Quando fiquei sabendo que meus amigos estavam com esse projeto musical todo trabalhado em Twin Peaks, imediatamente eu quis fazer um ensaio com eles, pois teria liberdade para trabalhar minha criatividade, coisa que não posso fazer com os clientes (preciso ser mais “quadrada”). Resolvi colocar as fotos numa sequência que fizesse sentido para explicar o processo criativo por trás delas. Algo parecido com o que eu fiz nesse ensaio de 2014.

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Viagens

Hora de nadar em outra direção

August 23, 2018

Ando sumida do blog porque a vida anda bem movimentada esse ano e tenho viajado bastante. Ainda nem tinha terminado de editar as fotos de Moscou e tive que viajar de novo para passar três semanas no Brasil e encerrar um ciclo da minha vida. Fui dizer um grande adeus à administração pública brasileira. Não vou entrar nos pormenores do processo para poupar vocês da chatice, mas o fato é que estou muito feliz que agora a fotografia é oficialmente a minha profissão.

Tem gente que não suporta mudar, eu adoro. Como diria Bowie, “Ch-ch-ch-ch-changes! Turn and face the strange”. Acho que tenho um espírito meio cigano. A ideia de passar 30 anos trabalhando no mesmo lugar nunca me agradou.  Nunca comprometi meu dinheiro pagando financiamento de imóvel porque tenho pavor de prestação. Ficar um longo período morando no mesmo lugar? No, thanks. Levei 33 anos pra mudar de cidade, mas mudei. Antes tarde do que nunca.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Visita guiada ao Museu Bulgákov

August 7, 2018

Em março, participei de uma visita guiada ao Museu do Bulgákov que funciona na casa onde o escritor e sua família viveram entre 1906 e 1919. A casa localiza-se na histórica rua Andriyivsky Uzviz. Eu ainda não tinha visitado esse museu porque queria ao menos ler algo do escritor antes de conhecer a casa onde ele morou. Em 2016, li “O mestre e Margarida”, sua obra mais famosa. Fiquei bem animada quando fiquei sabendo sobre essa visita guiada. Já adianto que adorei conhecer a casa por dentro e compartilho as minhas fotos preferidas.

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Viagens

Uma semana em Moscou – Metrô

June 19, 2018

Queria ter publicado esse post antes da Copa do Mundo começar, mas a vida anda bem movimentada por aqui e acabou não sobrando tempo para sentar e escrever os posts. Mas vamos lá, ainda dá tempo de ajudar alguém que esteja indo para Moscou. Como comentei no post anterior, é impossível falar da capital russa sem mencionar as icônicas estações de metrô e eu estava bem ansiosa para visitá-las. Fiz várias fotos e achei válido fazer um post inteiro sobre o tema. Não fiz o circuito das estações mais famosas, então as fotos desse post são de estações que eu realmente usei para chegar nos lugares que eu queria visitar.
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Viagens

Uma semana em Moscou – Impressões Gerais

May 26, 2018

Durante a semana passada, eu estava following the Moskva down to Gorky Park. Na verdade, não cheguei a ir ao Gorky Park porque fica longe e eu fiquei sem ânimo. A primeira impressão é justamente essa: Moscou é MUITO GRANDE e tem muita coisa pra fazer. Berlin é conhecida por ter muitos museus, mas Moscou não fica atrás viu! Visitei alguns bem legais, mas aproveitei a primavera para flanar muito pela cidade. Moscou não estava nos meus planos porque eu achava que seria meio tenso chegar lá com meu passaporte cheio de carimbo da Ucrânia, mas apareceu essa viagem a serviço para o digníssimo e ele perguntou se eu queria ir.

Eu teria que andar por lá sozinha durante o dia, já que ele estaria trabalhando. Sempre ouço as pessoas falarem que “a Rússia não é para os fracos”, então fiquei meio apreensiva, pensei bastante, deixei a curiosidade tomar conta de mim e fui. Confesso que fui preparada para o pior, mas com o coração aberto e olha, Moscou me abraçou e foi uma recepção calorosa, iluminada e com a beleza e o perfume das flores da primavera. Se a Rússia não é para os fracos, então acredito que sou forte porque andei sozinha e pleníssima pelas ruas da capital. Espero ter conseguido transmitir essa sensação com as fotos.

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Cotidiano, Cultura

Tudo se Ilumina – Jonathan Safran Foer

May 14, 2018

Esse post não é uma resenha sobre esse livro, mas um relato sobre a minha experiência de leitura. Demorei um bocado para terminar de lê-lo porque ele é extremamente metafórico e eu não estava com a minha capacidade de abstração completamente liberada. Apesar disso, ainda consegui captar bastante coisa. Insisti na leitura porque não gosto de abandonar livro, mas isso mudou graças a essa leitura. Desconfio que talvez seja exatamente esse um dos efeitos que o Jonathan Safran Foer quis causar no leitor.

“Tudo se Ilumina” é o primeiro livro dele e foi resultado de uma viagem que ele fez para a Ucrânia com o intuito de expandir sua tese, após a conclusão da licenciatura em Filosofia. Ele também escreveu “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (também adaptado para o cinema) e “Comer Animais”. O cara tem um talento e uma sensibilidade incrível com as palavras. Ele consegue construir umas metáforas belíssimas. Só lendo mesmo pra entender.

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Cotidiano

O ano sabático

May 11, 2018

Comentei nesse post que tenho pensado muito sobre o tempo. Quando me mudei pra Ucrânia, vim muito feliz porque finalmente teria tempo. Enquanto morava no Brasil, eu sentia que estava sempre correndo contra ele, trabalhando e estudando pra concursos. Nunca sobrava tempo para fazer coisas que realmente gosto e fazem sentido pra mim. Eu não sentia que estava vivendo, só me sentia viva quando estava de férias. A fotografia, que era minha válvula de escape, estava abandonada. Comecei a ler um livro em 2012 e só consegui terminar de ler aqui, em 2015! Sei que sou uma pessoa lenta e o estilo de vida corrido não combina comigo, definitivamente. Eu vivia cansada e me sentia muito errada porque estava tentando acompanhar um ritmo que não era o meu. Eu precisava de uma pausa, do tal “ano sabático”. Só aqui tive tempo para me autoanalisar e percebi que estava me desrespeitando, tentando ser alguém que eu não sou para atender as expectativas dos outros e isso estava me fazendo mal.

Muita gente me perguntava “mas o que você vai fazer?” e cada hora eu respondia uma coisa. Muitas pessoas consideram que alguém só está fazendo alguma coisa se estiver num trabalho convencional. E não, esse tipo de atividade não é uma possibilidade pra mim na Ucrânia, muito menos uma vontade. Pra quê essa pressão de ter que estar fazendo um trabalho convencional? Eu super feliz que a vida me deu essa oportunidade de não precisar trabalhar e o povo querendo que eu trabalhe! Eu sou do time do Jaiminho (do Chaves), evitando a fadiga sempre.

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