Cotidiano, Cultura

Uma obsessão chamada “DARK”

July 12, 2019

Alguém aí assistiu a série alemã “Dark”? Quando saiu a primeira temporada, ouvi dizer que ela era parecida com “Stranger Things” e acabei não dando atenção porque não queria investir tempo assistindo mais do mesmo. Porém, o canal Alemanizando fez um vídeo mostrando algumas locações da série e disseram que “Dark” tinha relação com Tchernóbil/Chernobyl, aí eu me senti na obrigação de dar uma conferida e COMASSIM NINGUÉM ME FALOU DESSA SÉRIE!?!?

“Dark” é uma série incrível! Tem roteiro, fotografia, edição, trilha sonora, escolha de elenco impecáveis e é repleta de referências. É uma série para assistir prestando MUITA atenção porque se você piscar, perde algum detalhe. E o diabo, ele mora nos detalhes neh? Tem referência que captei, tem referência que não captei e fui atrás por motivos de obsessão, conforme já anunciado no título desse post. E porque eu AMO uma referência.

Foto feita no show da Onuka no dia que o acidente de Chernobyl completou 32 anos.

O tema principal da série é viagem no tempo e 1986 é um dos anos principais da história porque foi o ano do acidente na usina de Chernobyl. Nessa época, a Alemanha era dividida e se você assistiu a minissérie “Chernobyl” da HBO, vai lembrar que há um momento em que um dos personagens fala que, em Frankfurt, os pais foram orientados a manterem os filhos dentro de casa por conta da radioatividade. Enquanto isso, as crianças de Prypiat continuavam indo para a escola como se nada estivesse acontecendo. Frankfurt fazia parte da Alemanha Ocidental, o lado que não estava sendo enganado pelo governo soviético. A história de “Dark” se passa na floresta negra, também localizada na Alemanha Ocidental.

A primeira temporada da série estreou em 2017, mas a história começa em 2019. Esse ano, a segunda temporada foi liberada e eu fiz maratona para assistir todos os episódios das duas temporadas. Em 2020, sai a terceira e última temporada e é um ano que também é comentado na série. O ciclo de 33 anos com certeza foi escolhido para casar certinho com 1986 e fazer todo esse paralelo com usina nuclear, radioatividade e o acidente de Chernobyl. Nada nessa série é escolhido ao acaso, por isso tem que prestar atenção e eu acabei ficando obsecada hahahha.

“A queda dos condenados” de Peter Paul Rubens.

A obra acima aparece na segunda temporada e não há explicação sobre ela (ou eu pisquei e perdi). Fiquei intrigadíssima porque ela aparece na abertura e como eu disse, nada nessa série é por acaso. Inclusive, preste atenção na abertura porque tem dica lá. Pra mim, essa obra tem relação direta com a citação do Nietzsche que inicia um dos episódios: “quando você olha muito tempo para o abismo, ele olha de volta pra você”. Se você não leu Nietzsche, não tem problema porque eu também ainda não li. Mas ele é tão pop que, mesmo sem ler, acabo estando meio que familiarizada com alguns termos nietzschianos por conta de outras leituras.

O ponto é que a série é bem filosófica, existencialista e é um prato cheio para quem gosta de psicologia como eu. Já contei nesse post aqui que ando pensando sobre o tempo e Nietzsche é um filósofo que aborda muito esse tema. Tempo tem relação direta com vida, morte, passado, presente e futuro. Ou seja, a série é complexa pela temática e pela forma como ela é construída. É realmente uma viagem no tempo em todas as suas formas.

Freud explica!

“O que sabemos é uma gota, o que não sabemos é um oceano”, esta é outra frase dita na série que tem tudo a ver com o título: escuridão, trevas. Tanto os personagens quanto nós, espectadores, embarcamos numa viagem pela escuridão, tentando entender o que está acontecendo e buscando respostas. Praticamente uma sessão de psicanálise. Adoro esse contraponto entre luz e sombras e já comentei sobre isso aqui e aqui.

Não posso finalizar esse post sem falar da música que tem um papel importantíssimo nessa série. Logicamente, elas foram escolhidas a dedo e a da abertura é bem melancólica, sombria e bela e se chama “Goodbye”, para já deixar claro qual é o clima de “Dark”. Mas eu quero falar mesmo é da música que te leva para a máquina do tempo de 1986.

Você me gira como um discoooooo!

Essa música me transportou para a minha infância, quando eu via Dead or Alive num programa de videoclipes da Rede Record e ficava intrigadíssima com o vocalista Pete Burns porque não conseguia entender se ele era um homem ou uma mulher. Demorei muitos anos para descobrir o nome da banda e da música que era “Come Home (With me baby)”. Lembro da alegria que eu fiquei quando descobri qual era a música e consegui baixar o mp3 para ouvir quantas vezes eu quisesse. Obrigada, internet!

Me esforcei bastante para não dar nenhum spoiler significativo da série. Quem já assistiu, deixa aí um comentário, por favor? Porque estou aqui me coçando para falar sobre ela. É que “Dark” é uma obra de arte em forma de série. Já assisti um monte de vídeos e estou me deliciando com a trilha sonora.

A imagem do Rubens é desse blog e o autor faz tours sobre arte em Dublin.

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10 Comments

  • Reply Larissa Rehem | O dia da Lila July 12, 2019 at 4:25 pm

    Ahahaha!
    Eu estava na dúvida se iria ver essa série ou não, agora: já vi que preciso ver!

    Obrigada pela indicação!

    • Reply Alessandra July 12, 2019 at 5:22 pm

      Prepare-se para dar um nó na cabeça! hahahaha Obrigada você por comentar 🙂

  • Reply Adelson Barbosa e Melo July 13, 2019 at 4:13 am

    Nossa, eu vou dar uma chance a essa série AINDA HOJE. Eu adorei esse post e eu fiquei com uma vontade enorme de acompanhar, eu estudo psicologia e sou apaixonado por coisas produzidas pelas telinhas que mexem com a mente da gente, e sobre Nietzsche: ele é um homem complicado, de palavras complicadas, mas como você falou, cada palavra é um retrato nítido da realidade atual, Ele sem dúvida é o filósofo que narrou uma realidade futura, ou seja, sem nem estar nela. Acho que não existe ninguém mais atual que Nietzsche. Ah e você já leu O ANTICRISTO obra dele? Fica uma dica por aí! Amei ♥

    https://adeehmello.blogspot.com/

    • Reply Alessandra July 13, 2019 at 11:33 am

      Oi, Adelson! Acho que você vai amar essa série e desconfio que vai fazer maratona também haha Sim, Nietzsche é complexo, por isso fiquei postergando a leitura. É preciso estar comprometido e concentrado para conseguir entender Nietzsche. Com certeza ele era um cara MUITO a frente de seu tempo, então faz todo o sentido do mundo ele ser citado nessa série. Obrigada pela dica e pelo comentário! Já estou pesquisando aqui qual livro dele vou comprar porque acho que chegou a hora de ler esse cara. <3

  • Reply BA MORETTI July 14, 2019 at 1:30 pm

    essa série é tão intensa e cheia de detalhes que eu ainda não consegui parar pra ver a 2ª temporada. sei que vou precisar realmente tirar um tempo pra fazer isso com calma e evitar de deixar que algo passe despercebido (o que provavelmente vai acontecer mesmo assim!). não sei se vou conseguir assistir novamente a 1a temp pra lembrar dos detalhes mas pretendo, pelo menos, assistir vídeo da adriana cecchi. ela fez resenha da 1a temp (essa já assisti e vou querer assistir novamente) e da 2a temp que quero assistir depois de ver a série 🙂 são tantas teorias que a loucura precisa ser compartilhada, não é mesmo? HAHA

    • Reply Alessandra July 16, 2019 at 8:58 am

      Foca e vai, Bazinha! Você consegue. Por falar em Adriana Cecchi, descobri essa maravilhosa justamente por conta dessa série e eu fiquei igualzinha a ela hahaha Aliás, tenho assistido outros vídeos dela e a gente é muito do mesmo time. E sim, vamos compartilhar a loucura aí! <3

  • Reply Ava July 15, 2019 at 5:00 pm

    Oi Ale, tudo bem?
    Já tinha ouvido falar sobre a série, mas foi sua resenha que me fez realmente querer assisti-la. Gosto dessa temática mais histórica, e ainda não assisti a série da HBO, mas tenho muita vontade. Espero conseguir assistir em breve pra poder voltar aqui e falar o que achei.
    Abraços
    Ava

    • Reply Alessandra July 16, 2019 at 9:02 am

      Oi Ava, assiste aí e sinta a cabeça trabalhando também. Contextualizei historicamente porque ajuda a entender melhor a série, já que “tudo está conectado” (para usar uma frase da série).
      Abraços pra ti também!

  • Reply Taís July 18, 2019 at 9:19 pm

    Dark é sensacional! Eu fico perdida, dai vou pesquiso, volto, paro pra pensar.. e nossa, que série. Deixa a gente doidinho e querendo mais e tentando entender todas essas referências. A trilha sonora é muito boa tb, a fotografia, enfim, cada detalhe como vc disse…
    Seu post me deixou na vontade de ver de novo as duas temporadas hahaha

    • Reply Alessandra July 19, 2019 at 9:25 am

      Não é? É uma série pra fazer pensar. Já influenciei um amigo meu pra assistir pra eu poder comentar porque o marido não assistiu e eu preciso comentar!!! hahahhahaha

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