Cotidiano

12 meses de projeto analógico

October 20, 2020

A vontade de voltar a fotografar com analógica é antiga e eu já tinha comentado sobre ela nesse post de 2015. A ideia era fotografar bastante enquanto eu morava em Kiev porque a revelação lá era barata, mas por circunstâncias da vida (e alguma procrastinação), acabei não me dedicando tanto a esse projeto. Compramos a Olympus OM2n em Viena porque as SLR que tínhamos estragaram na mudança do Brasil para Kiev. Resumindo a história, o primeiro filme desse projeto estava dentro da câmera desde 2015, só esperando para ser fotografado.

Depois de participar do workshop da Nikki em agosto do ano passado, resolvi que era a hora de me dedicar de verdade a esse projeto e gastar os filmes que devem morar na minha geladeira há uma década. Nada como uma boa road trip para colocar esses filmes pra jogo neh? Esse post é uma seleção das minhas fotos preferidas feitas ao longo desses últimos 12 meses.

Nice – Fuji Superia 400

Os filmes foram escolhidos aleatoriamente e a ideia é analisar os resultados e ver os que eu mais gosto. Também comecei esse projeto para me desafiar e melhorar minhas habilidades porque na fotografia analógica você tem que realmente saber o que está fazendo, prestar atenção, o foco é manual e a revelação custa dinheiro$$$$$, então quanto menos eu perdesse foto, melhor. Fora que é uma excelente maneira de desacelerar, algo que eu estava necessitando.

Menton – Fujichrome Provia 100
Menton – Fujichrome Provia 100
Menton – Fujichrome Provia 100
Mônaco – Fujichrome Provia 100

Gatinho dorminhoco em Menton – Fujichrome Provia 100.

Utrecht – Lomography 100
Amsterdam – Lomography 100
Paris – Kodak Color 200
Paris – Kodak Color 200
Évora – Kodak Tri-X 400
Amsterdam – Kodak Tri-X 400
Lisboa – Fuji Superia 400
Lisboa – Fuji Superia 400
Amsterdam – Agfa Vista 200
Amsterdam – Kodak Pro Image 100
Amsterdam – Kodak Pro Image 100
Amsterdam – Kodak Pro Image 100

Foram 10 rolos de filme, só que um não saiu nada. Provavelmente, coloquei o filme na câmera com pressa e ele não prendeu direito. Com a fotografia analógica é assim, você tem que lidar com seus erros e com a frustração. Mil coisas podem acontecer do momento que você clica até o momento que você recebe as fotos reveladas. É um belo exercício de paciência. Essas fotos são especiais porque são lembranças de vários acontecimentos (até pandemia teve!) e pessoas queridas que encontrei nos últimos 12 meses. Fora todo o processo de adaptação em um novo país. Muitos aprendizados. E enquanto termino de escrever esse post, o shuffle do Spotify resolveu tocar “Live and learn”. How convenient!

Fiquei muito feliz por, finalmente, conseguir colocar esse projeto em prática, ver que eu ainda sei fotografar com analógica e errei bem menos do que eu estava esperando. Além disso, organizei os meus negativos que estavam todos espalhados em caixas. Essa é outra coisa que eu vinha procrastinando, mas a mudança me forçou a organizar a casa inteira. Enfim, que venham os próximos 12 meses porque ainda tem muito rolo pra gastar.

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19 Comments

  • Reply Gabi October 20, 2020 at 6:48 pm

    Cara, quanta foto incrível (e que honra estar aí no meio!). Amei tudo, sem exceção.. Mas acho que a foto de abertura do post, a do senhor sentado em Nice, e a de Évora estão de tirar o folego ainda mais! Você é um talento, Ale! Keep shooting!

    • Reply Alessandra October 21, 2020 at 9:19 am

      Obrigada, Gabi! Foi difícil escolher as preferidas e a sua representa esse dia lindo que passamos em Utrecht. Fazer essa seleção é um bom exercício pra acompanhar a evolução. Todas as que você citou têm cara de cena de filme pra mim e eu sempre fico maravilhada quando a vida me presenteia com essas cenas. <3

  • Reply Ana Carolina Poli October 26, 2020 at 8:59 pm

    Amei as fotos, Ale! E a Gabi ali no meio me surpreendeu hehe. Pena que em Amsterdam a conversa tava muito boa e nao aproveitamos al luz pra você tirar mais fotos. Da próxima vez! 🙂

    • Reply Alessandra October 27, 2020 at 11:53 am

      Oie! Pois é, a conversa tava muito boa para interromper tirando fotos. Fiquei focada nos papos e esqueci da câmera na mochila, quando lembrei já era tarde. Mas tudo bem. o importante é que a gente aproveitou bastante. Beijos!

  • Reply Bárbara October 29, 2020 at 7:49 pm

    As fotografias analógicas são tão especiais, né? Esse granulado, tem um quê diferente mesmo. Recentemente uma amiga que fotografa com analógica tirou umas fotos minhas e fiquei babando no resultado, as fotos ficam demais! Essa sua ótima tá perfeita, assim como a de Évora. Amei, você é talentosa demais!

    • Reply Alessandra November 2, 2020 at 10:05 am

      As analógicas têm um charme especial neh? Feliz que vc gostou da de Évora pq é uma das minhas preferidas. Obrigada pelo elogio! <3

  • Reply Bárbara October 29, 2020 at 7:50 pm

    eu quis dizer essa sua última tá perfeita*

  • Reply Ana Barros November 13, 2020 at 11:15 pm

    Menina, eu amooo fotografia analógica, eu mesma faço algumas fotos minhas na brincadeira. Amei conhecer seu blog <3

    • Reply Alessandra November 14, 2020 at 11:22 am

      Obrigada por comentar! Mais uma para o time dos amantes da fotografia analógica <3

  • Reply Gabi Ramalho November 19, 2020 at 4:00 pm

    e suas fotos continuam perfeitas, né? é 150% visível que você realmente SABE o que tá fazendo haha
    amei as experiências compartilhadas ♥

    • Reply Alessandra November 29, 2020 at 11:48 am

      Oi Gabi, obrigada! Interessante você afirmar isso porque já ouvi comentários de gente que parece que não entendeu que há um conhecimento adquirido antes do resultado final. Foi uma das motivações que me fez mergulhar de vez nesse projeto analógico. <3

  • Reply Lolla November 19, 2020 at 9:56 pm

    Talentosa demais! Minhas preferidas são a do senhorzinho na orla, todas as com a Paula, seu mirror selfie em paris (amei o foco/blur), a de évora, a da tattoo… Fotografia analógica tem um feeling especial, não tem comparação com digital. Eu sempre quis tentar, mas a verdade é que eu sou imediatista, preguiçosa e não tão boa fotógrafa (agora menos que nunca) pra gastar dinheiro com filme e revelação. E a nossa AE1 program deixou de funcionar, ou seja, se até o equipamento falta… Quem sabe quando eu puder voltar a sair mais livremente eu volte a me animar com fotografia; por ora me divirto admirando as amigas talentosas. 🙂

    • Reply Alessandra November 29, 2020 at 11:56 am

      Que delícia esse seu comentário, Lolla. Você é boa fotógrafa sim e me inspirava demais quando eu ainda estava no Brasil no meu emprego chato. Seu blog me salvava. Eu não tinha tempo para fotografar, mas podia apreciar tuas imagens pelo menos. Me considero preguiçosa também, mas o amor pela fotografia analógica, por esse feeling especial que não tem comparação com digital, me faz sair da inércia. O preço é algo que me faz ser ainda mais cuidadosa na hora de escolher o que eu quero fotografar. Quanto a sair mais livremente, VEM VACINA!!!

  • Reply Helen Araújo November 24, 2020 at 4:08 am

    Minha xará de sobrenome, você já percebeu que enquanto eu tenho UM VELHO mundo, você tem UM NOVO destino? Isso não tem nada a ver com o post, mas sempre me pego pensando e adoro porque parece aqueles efeitos de dupla exposição só que com palavras.

    Dessas fotografias eu posso falar muitas coisas, são todas lindas, mas três especialmente me fizeram querer escrever histórias: a primeira, o velho lendo livro debaixo do sol (eu queria muito ser ele agora) e essa primeira p&b que me fez pensar no Tarkovski (sendo que nunca terminei de ver um filme dele).

    E também no último parágrafo, que você disse que ficou feliz com a conquista. Eu acho que senti aqui porque parecia uma dorzinha de flecha no coração hahaha. Então fico feliz por você ter conseguido, e tudo saiu lindo. Imagino que até os erros. E você é muito bonita.

    Eu rebobinei um filme sem querer em 2018 e ainda está na minha máquina. Não sei mexer com analógica, nem fotografar. Mas quero comprar outro e fazer a gambiarra de buscar o rebobinado com a ponta do outro, pra treinar iso, focos e coisas que eu não sei mais. Pena que é caro. Quero também treinar a paciência, e amo essa magia da coisa mecânica, onde cada atividade parece um sacrifício bom, no sentido de um ensinamento de velho. Bem coisa de filme de heróis jovens ansiosos recebendo conselhos – às vezes doces, às vezes amargos (os meus favoritos) – de velhos com uma vida e marcas de experiências pelo corpo todo, porque trabalharam a vida toda naquele ofício e cada erro ou machucado virou uma sabedoria.

    Ah, e eu li esse texto ouvindo um cover muito bom de Gimme Shelter, por Stone sour e Lzzy Hale.
    Beijo!

    • Reply Alessandra November 29, 2020 at 12:20 pm

      Sim, eu reparei nisso! E eu adoro uma velharia, assim como você. É como se fossem blogs espelhados neh?

      O senhor lendo e tomando sol representa muito a gente neh? Quando eu vi essa cena, pensei: “olha eu ali!” hahahhahhaha Amei que você comparou a foto pb com Tarkovsky porque ela foi altamente influenciada por “Dark” e essa série bebe forte em Tarkovsky.

      Muito obrigada por tooodos os elogios! Significa muito vindo de você que tem um olhar estético tão apurado.

      Eu também amo essa coisa da magia mecânica, da questão da luz reagindo com a química do filme, são muitas transformações, é mais orgânico, imprevisível, um processo completamente diferente do digital. E nesse mundo veloz, tecnológico, imediatista, artificial, me faz muito bem esse processo mais lento.

      Fui ouvir o cover e acabei descobrindo outro cover deles (“Wicked Game”) que amei e entrou pra uma playlist minha. Obrigada pela dica! Beijos.

  • Reply Helen November 24, 2020 at 4:09 am

    teste pra ver se foi meu comentário porque não vi se é moderado kkkk

    • Reply Helen November 24, 2020 at 4:15 am

      Minha xará de sobrenome, você já percebeu que enquanto eu tenho UM VELHO mundo, você tem UM NOVO destino? Isso não tem nada a ver com o post, mas sempre me pego pensando e adoro porque parece aqueles efeitos de dupla exposição só que com palavras. Dessas fotografias eu posso falar muitas coisas, são todas lindas, mas três especialmente me fizeram querer escrever histórias: a primeira, o velho lendo livro debaixo do sol (eu queria muito ser ele agora) e essa primeira p&b que me fez pensar no Tarkovski (sendo que nunca terminei de ver um filme dele). E também no último parágrafo, que você disse que ficou feliz com a conquista. Eu acho que senti aqui porque parecia uma dorzinha de flecha no coração hahaha. Então fico feliz por você ter conseguido, e tudo saiu lindo. Imagino que até os erros. E você é muito bonita.

      • Reply Helen November 24, 2020 at 4:15 am

        Eu rebobinei um filme sem querer em 2018 e ainda está na minha máquina. Não sei mexer com analógica, nem fotografar. Mas quero comprar outro e fazer a gambiarra de buscar o rebobinado com a ponta do outro, pra treinar iso, focos e coisas que eu não sei mais. Pena que é caro. Quero também treinar a paciência, e amo essa magia da coisa mecânica, onde cada atividade parece um sacrifício bom, no sentido de um ensinamento de velho. Bem coisa de filme de heróis jovens ansiosos recebendo conselhos – às vezes doces, às vezes amargos (os meus favoritos) – de velhos com uma vida e marcas de experiências pelo corpo todo, porque trabalharam a vida toda naquele ofício e cada erro ou machucado virou uma sabedoria. Ah, e eu li esse texto ouvindo um cover muito bom de Gimme Shelter, por Stone sour e Lzzy Hale. Beijo!

    • Reply Alessandra November 29, 2020 at 11:59 am

      fooooooii! hehehe

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