Falei neste post que o próximo seria sobre a visita à Lisboa, mas surgiu uma quarentena no meio do caminho e não tinha muito clima para postar sobre viagens. Estas fotos foram feitas no início de fevereiro, durante a pequena road trip que fizemos entre Portugal e Espanha no último inverno. Fotografei um filme inteiro em um dia, coisa que nunca tinha feito antes. Foi uma delícia passear com calma pela capital portuguesa num dia nublado. O friozinho estava na medida, tudo que precisávamos para subir e descer as ladeiras de Lisboa sem muito sofrimento. No dia seguinte, minhas panturrilhas estavam doloridas, pois não trabalhamos com ladeiras em Amsterdam.
Meu desejo de visitar Lisboa nasceu quando eu ainda estava na universidade e peguei uma disciplina chamada Romantismo Português durante um curso de verão. Viajei para lá por meio da literatura primeiro e ficava sonhando com o dia que eu visitaria de fato a capital portuguesa. Demorou bastante para esse dia chegar, mas chegou e tudo me pareceu muito familiar, era como se eu realmente já tivesse estado ali.



Provavelmente, essa sensação de familiaridade se explica por eu já ter visitado Ouro Preto e por conta da língua também. Foi quase como se eu tivesse ido para o Brasil sem sair da Europa, com direito a pastel com caldo de cana, inclusive. Os portugueses que me desculpem, mas eu estava com saudade.
Nessa época, o corona já estava por aí, mas ainda acreditávamos que era só uma gripezinha e passeamos tranquilamente sem precauções. Mal sabíamos que um mês depois a vida seria bem diferente e sem previsão de voltar ao que era. Olho para essas fotos e penso em como a vida pode mudar da noite para o dia. Tudo é transitório e é preciso lembrar disso diariamente.



Os famosos azulejos portugueses me lembraram a obra da Adriana Varejão que está exposta em Inhotim. E passear pelo Castelo de São Jorge me lembrou as obras do romantismo. Antes de entrar no castelo, fizemos um lanchinho e provamos o bolinho de bacalhau recheado com queijo que vende bem na entrada do castelo.
Havia uns músicos tocando The Doors nos arredores, mas eles não tinham permissão para tocar ali. Chegou um policial e pediu educadamente para eles se retirarem. Eu e marido observamos a cena toda e ficamos admirados com a tranquilidade e a educação do policial. Os músicos recolheram seus instrumentos e saíram sem problemas e sem discussão.





O café do hotel em Jerez de la Frontera era muito ruim e a gente saiu à caça de um café descente para tomar em Lisboa. Nos tornamos velhos exigentes hahaha Encontramos esse café escondido dentro de uma loja de roupas e meu marido fez a foto do copo dele. Foi a única foto feita com luz artificial e eu gostei do resultado. Eu não teria feito essa foto justamente por conta da luz artificial, mas é bom saber que o Fuji Superia 400 pode dar resultados legais nessas condições.



Eu estava doida para usar esse filme de novo e adorei o resultado dele em um dia nublado. A outra vez que fotografei com ele foi com sol forte e algumas fotos ficaram bem saturadas para o meu gosto, especialmente os tons de pele. Em Lisboa, fotografei com luz suave o tempo todo e adorei o resultado. Ainda tenho alguns Fuji Superia 400 guardados na geladeira e agora posso usá-los em algum projeto mais pensado.
O hotel que a gente ficou era muito lindo e eu fiz essa última foto no banheiro, pouco antes da gente ir para o aeroporto. Esse espelho ficava no box e o banheiro era bem iluminado por uma janelona, então eu sabia que ia rolar de fazer essa foto. Ela ficou exatamente do jeito que imaginei e eu amo quando isso acontece. Afinal, na fotografia analógica nunca dá para ter 100% de certeza do que vai sair e se vai sair. Especialmente porque meus filmes são todos vencidos, então nunca sei se vai realmente sair algo. Cada filme é uma emoção e eu andava sentindo falta dessa emoção fotográfica.



