Conforme prometido no post anterior, aqui estão as poucas fotos que fiz com a câmera digital durante essa pequena road trip de inverno. Não visitei nenhum cemitério nessa viagem, mas teve essa capela maravilhosa em Évora, cheia de ossos e com muita explicação, que ajudaram meu marido a entender porque eu gosto de visitar esses lugares.
A Capela dos Ossos era um espaço de oração e meditação sobre a efêmera condição humana, construída pelos frades franciscanos no final do século XVI, com os ossos que estavam nos túmulos das igrejas e cemitérios da cidade. A frase escrita na porta de entrada é um convite à reflexão, um lembrete de que a morte chega para todos nós.





A seguir, um dos textos que estavam expostos na capela:
“As caveiras descarnadas
São a minha companhia
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas;
Muitas foram respeitadas
No mundo, por seus talentos,
E outros vãos ornamentos.
Que serviram à vaidade,
E talvez… na Eternidade
Sejam causas de seus tormentos!”

O painel de azulejos da foto acima fica em frente à porta de entrada da capela e ilustra uma alegoria à vida em oposição à morte presente na capela dos ossos. Na imagem da esquerda, a mãe (Maria) contempla os primeiros tempos de seu filho (Jesus), sob o olhar orgulhoso do pai (José). Na imagem da direita, mãe e pai elevam ao céu o filho – salvador.






Após toda essa reflexão, pegamos a estrada (com névoa! \o/) em direção ao Castelo de Mértola e fizemos amizade com um cachorrinho e gatinhos.



Chegamos em Faro no final da tarde e a cidade nos recebeu com um belíssimo pôr do sol. Demos uma volta pelo centro, jantamos e fomos descansar para pegar a estrada novamente no dia seguinte.



Passamos três dias em Jerez de La Frontera, onde terminei meu filme preto e branco. Fiz essa mesma foto em pb, mas não podia deixar de registrar em cor, pois mira essas paredes!
Vi vários pés de mexerica tanto em Faro quanto em Jerez e isso me lembrou demais o Brasil. Foi uma delícia fugir um pouco do inverno de Amsterdam, ver o sol e pegar temperaturas de 16 graus pra cima. Adorei saber que entendo espanhol mesmo sem ter terminado o curso e sem estudar há séculos. Não tenho fluência, mas as pessoas entendiam tudo que eu falava. Almocei em uma bodeguita um dia e a moça que me atendeu foi uma fofa, fez questão de falar devagar sobre as tapas sem carne e eu comi duas tapas incríveis.


Jerez não é uma cidade super turística, mas tem muito mais estrutura do que eu achava que teria. Encontramos um bistrô perto do hotel que servia frango à passarinho e carne louca. Jantamos lá todas as noites. Pensamos “pra quê ir a outro lugar se a gente já descobriu esse que é bom?”. Claro que escolhi as opções vegetarianas, mas marido provou e aprovou a carne louca haha.
Na volta para Lisboa, resolvemos seguir direto e só paramos para abastecer o carro e comprar uns lanchos. O próximo post será com as fotos analógicas que fiz em Lisboa. Espero que esteja tudo bem com vocês nessa sexta-feira 13. Por aqui, seguimos sem corona vírus. Cuidem-se!



