Esse post não é uma resenha sobre esse livro, mas um relato sobre a minha experiência de leitura. Demorei um bocado para terminar de lê-lo porque ele é extremamente metafórico e eu não estava com a minha capacidade de abstração completamente liberada. Apesar disso, ainda consegui captar bastante coisa. Insisti na leitura porque não gosto de abandonar livro, mas isso mudou graças a essa leitura. Desconfio que talvez seja exatamente esse um dos efeitos que o Jonathan Safran Foer quis causar no leitor.
“Tudo se Ilumina” é o primeiro livro dele e foi resultado de uma viagem que ele fez para a Ucrânia com o intuito de expandir sua tese, após a conclusão da licenciatura em Filosofia. Ele também escreveu “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (também adaptado para o cinema) e “Comer Animais”. O cara tem um talento e uma sensibilidade incrível com as palavras. Ele consegue construir umas metáforas belíssimas. Só lendo mesmo pra entender.
Bom, a história se passa na Ucrânia e foi o que me levou a assistir o filme logo que me mudei pra cá. Escrevi sobre ele nesse post. A adaptação foi feita com base em apenas uma das três partes do livro. O filme é bem mais fácil de acompanhar em comparação com o livro. Optei por ler na língua original porque faz muito mais sentido, inclusive o próprio título faz muito mais sentido em inglês por conta do contexto e do personagem que diz essa frase.
Tenho procurado ler livros de autores de língua inglesa na língua original porque acho que muitos significados se perdem na tradução. Talvez o fato de eu ter lido em língua estrangeira tenha dificultado um pouco essa minha imersão nas metáforas. Ao mesmo tempo, essa dificuldade tem tudo a ver com a história, já que reflete o que os personagens estavam vivendo.
Essa história relata uma busca iniciada por uma fotografia que leva um dos personagens principais à Ucrânia. Ou seja, fala muito comigo por motivos óbvios. Assim como o livro do Jonathan Safran Foer, esse blog é um grande retrato de uma busca. No meio dessa busca, Jonathan (personagem/autor) encontra pessoas que vão acompanhá-lo e ajudá-lo a encontrar o que procura e todos voltam transformados depois desse encontro e dessa jornada. O que exatamente eles encontram? Você terá que ler para descobrir.
Terminei a leitura há meses, mas a história ainda ecoa na minha mente. Tenho certeza que vou reler esse livro daqui a uns anos e ele fará ainda mais sentido. Definitivamente, é daquelas histórias que devem ser relidas em diferentes momentos da vida e cada vez você vai entender mais coisas. Algum tempo depois que terminei, fiquei sabendo que um artista chamado Wolney Fernandes estava fazendo um projeto de leitura desse livro e todo dia ele fazia stories de cada capítulo no instagram. Ele trabalha com colagens e é um artista incrível que eu não conhecia e talvez nunca tivesse dado atenção se não fosse por conta dessa história. Esses stories estão disponíveis no canal do Wolney no YouTube e vale a pena conferir as colagens que ele criou e a forma como ele interpretou as palavras do Jonathan Safran Foer.
Não é incrível todas as conexões que é possível fazer a partir de uma experiência? Certeza que não sou só eu que fico deslumbrada com essas coisas, tanto que os livros do Jonathan Safran Foer foram premiados e adaptados para o cinema, aumentando o alcance de suas histórias, de suas mensagens. Vale a pena conferir a entrevista dele no vídeo abaixo falando sobre o livro.
Alguém aí já leu essa obra? Já assistiu o filme? Ou leu algum outro livro desse autor? Me conta nos comentários como foi sua experiência. Eu nem ia fazer post sobre esse livro porque, logo que terminei de ler, não tive a sensação de que tinha absorvido bem o que o autor quis dizer e não me achava capaz de falar sobre ele. Mas depois dos stories do Wolney, e depois de várias reflexões sobre a vida, as coisas se iluminaram e eu achei que valia a pena sim fazer um post sobre essa experiência. A sensação é meio essa de que você está no escuro, mas depois começa a entrar uma luzinha e depois vem aquela iluminação total de compreensão. Foi o que eu tentei passar com a foto que abre esse post. O livro está justamente na faixa iluminada e a escolha do preto e branco foi de propósito para ficar mais evidente o contraste entre luz e sombra. O importante é estar aberto para deixar a luz entrar.




