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Reflexões

Cotidiano

De volta aos anos 90

July 2, 2019

Já tem um tempo que tenho reparado um retorno aos anos 90 em vários aspectos culturais e políticos. Até grupos como Spice Girls e Backstreet Boys pegaram carona nessa onda e aproveitaram a nostalgia dos fãs para ganhar um dim dim e ter uns minutinhos de fama novamente. Uma amiga atravessou o oceano e foi conferir o show das Spice Girls na Escócia. Ela me mandou uma mensagem dizendo “você bem que podia ir, neh ami?” e a minha resposta foi “amiga, eu era trevosa. até curto uns pops, mas não pagaria para ver um show das Spice Girls porque não era fã o bastante”.

Tem também que eu sou mais velha e não peguei muito esse frisson de Britney, Spice Girls, Backstreet Boys, Sandy & Júnior e Hanson. Mas eu tenho primas mais novas e lembro que elas eram fascinadas por esses artistas. O disco da foto acima foi meu presente de natal de 1991 e, nessa época, eu já gostava de uns rock, de New Kids On The Block e de Madonna (desde bem criancinha). Eu era uma pirralha de 10 anos, mas já me sentia super adolescente.

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Cotidiano

Oh, Patrícia!

May 28, 2019

Acho muito incrível as coincidências da vida. Conheci a Patty em Kiev, logo que cheguei lá. Ela também tinha recém chegado na Ucrânia e as circunstâncias das nossas vidas eram muito parecidas. Ao contrário de mim, ela é inquieta e logo descobriu um grupo de expatriadas da qual passou a fazer parte e vivia me convidando para entrar. Como sou mais introspectiva, não sentia essa necessidade de conhecer gente nova.

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Cotidiano, Kiev

O que aprendi ao longo de 4 anos vivendo no leste europeu

May 8, 2019

Saí do leste europeu, mas ele nunca sairá de mim. Os anos que vivi lá foram riquíssimos em todos os sentidos e carregarei sempre comigo as experiências vividas e tudo o que aprendi morando na Ucrânia. Aprendi história, aprendi muito sobre fotografia porque lá tinha tempo para estudar e praticar, melhorei meu inglês conversando, lendo livros e notícias para compartilhar informações aqui, aprendi ucraniano e comecei a estudar russo.

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Cotidiano

Melhor queimar que desaparecer

November 7, 2018

Esse post era pra ter entrado no dia das bruxas, porém não consegui editar essas fotos a tempo. Bom, estamos atravessando tempos sombrios, às vezes dou uma choradinha, mas minha mãe me ensinou foi cedo a engolir o choro. A dor e a raiva são ótimos combustíveis para a criação e eu já estava com a ideia desse ensaio na minha cabeça há tempos, mas resolvi colocá-la em prática no dia do segundo turno da eleição. Votei e voltei pra casa pra fazer essas fotos. A arte sempre me salva e eu sou trabalhada nas trevas desde criancinha. Já tem um tempo que estou meio enjoada dessas fotos clarinhas que venho fazendo, então todo esse contexto foi um ótimo pretexto para colocar essas ideias em prática.

No final de 2009, o CCBB de Brasília organizou uma exposição maravilhosa sobre Clarice Lispector e o folder da exposição tem essa foto dela na capa. Nessa mesma exposição tinha um vídeo da última entrevista que ela gravou em 1977, alguns meses antes de morrer. Hoje você pode assistir essa entrevista incrível  no YouTube. Assisti novamente recentemente e me identifiquei com a fala dela em vários momentos. Além de trazer informações, o folder é um caderninho de anotações. Um dia eu estava arrumando umas coisas em casa e encontrei esse folder com anotações de “A paixão segundo GH” que um amigo me deu de presente de aniversário em 2010.

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Cotidiano, Cultura

Tudo se Ilumina – Jonathan Safran Foer

May 14, 2018

Esse post não é uma resenha sobre esse livro, mas um relato sobre a minha experiência de leitura. Demorei um bocado para terminar de lê-lo porque ele é extremamente metafórico e eu não estava com a minha capacidade de abstração completamente liberada. Apesar disso, ainda consegui captar bastante coisa. Insisti na leitura porque não gosto de abandonar livro, mas isso mudou graças a essa leitura. Desconfio que talvez seja exatamente esse um dos efeitos que o Jonathan Safran Foer quis causar no leitor.

“Tudo se Ilumina” é o primeiro livro dele e foi resultado de uma viagem que ele fez para a Ucrânia com o intuito de expandir sua tese, após a conclusão da licenciatura em Filosofia. Ele também escreveu “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (também adaptado para o cinema) e “Comer Animais”. O cara tem um talento e uma sensibilidade incrível com as palavras. Ele consegue construir umas metáforas belíssimas. Só lendo mesmo pra entender.

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Cotidiano

O ano sabático

May 11, 2018

Comentei nesse post que tenho pensado muito sobre o tempo. Quando me mudei pra Ucrânia, vim muito feliz porque finalmente teria tempo. Enquanto morava no Brasil, eu sentia que estava sempre correndo contra ele, trabalhando e estudando pra concursos. Nunca sobrava tempo para fazer coisas que realmente gosto e fazem sentido pra mim. Eu não sentia que estava vivendo, só me sentia viva quando estava de férias. A fotografia, que era minha válvula de escape, estava abandonada. Comecei a ler um livro em 2012 e só consegui terminar de ler aqui, em 2015! Sei que sou uma pessoa lenta e o estilo de vida corrido não combina comigo, definitivamente. Eu vivia cansada e me sentia muito errada porque estava tentando acompanhar um ritmo que não era o meu. Eu precisava de uma pausa, do tal “ano sabático”. Só aqui tive tempo para me autoanalisar e percebi que estava me desrespeitando, tentando ser alguém que eu não sou para atender as expectativas dos outros e isso estava me fazendo mal.

Muita gente me perguntava “mas o que você vai fazer?” e cada hora eu respondia uma coisa. Muitas pessoas consideram que alguém só está fazendo alguma coisa se estiver num trabalho convencional. E não, esse tipo de atividade não é uma possibilidade pra mim na Ucrânia, muito menos uma vontade. Pra quê essa pressão de ter que estar fazendo um trabalho convencional? Eu super feliz que a vida me deu essa oportunidade de não precisar trabalhar e o povo querendo que eu trabalhe! Eu sou do time do Jaiminho (do Chaves), evitando a fadiga sempre.

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Cotidiano

Três anos de blog (O Tempo Voa)

March 13, 2018

Em outubro do ano passado esse amado blog completou 3 anos de existência. Algumas coisas levam tempo para fazer sentido e só agora me caiu a ficha do quanto foi importante criá-lo. A princípio, era só um lugar para registrar minhas experiências e aprendizados como expatriada, mas acabou se tornando um projeto. Evoluí bastante fotograficamente nesses últimos 3 anos, além de ter evoluído como pessoa também. Não costumo divulgar o blog e a maioria das pessoas que conheço na vida fora da internet não costumam acompanhar o conteúdo que crio para ele. Foi uma grande surpresa ver que pessoas que não conheço pessoalmente se interessam pelo que posto e isso me intriga.

A internet é esse lugar onde acontecem muitas coisas ruins e muitas coisas boas também e tudo isso vem transformando nossas vidas, não é muito doido? Gosto muito de psicologia e fico sempre tentando entender a razão dos comportamentos humanos. Pelo feedback que recebo aqui, percebi que a maioria das pessoas que acompanham o blog são do sexo feminino. Não costumo escrever sobre temas considerados femininos e fico me perguntando o que exatamente atraiu vocês? Foi a vida de expatriada? Foi a Ucrânia? Foram as fotos? É o jeito que eu escrevo? Não sei a resposta.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Only happy when it rains

November 21, 2017

Alguém na área? Antes que eu complete 3 meses sem dar notícia por aqui, resolvi dar uma limpada nas teias de aranha deste blog. A boa notícia é que ando fotografando bastante e por isso o blog acabou ficando de lado. Teve uma viagem para terras longínquas também nesse tempo de sumiço. Ando participando de uns passeios guiados por Kiev também, mas ainda não deu pra sentar e escrever sobre o que tenho aprendido. Quem tem blog sabe que dá trabalho para escrever um post, não é simplesmente jogar um monte de palavras ou copiar e colar um texto qualquer da internet. Pelo menos esse não é o jeito que eu faço. Todo o conteúdo que posto aqui saiu da minha cabecinha e é fruto de muita pesquisa e muitas revisões de texto. Fora as fotos também feitas e editadas por mim. Ou seja, cada post leva umas boas horas para serem produzidos e eu não recebo nenhuma compensação financeira para isso.

A foto acima foi feita durante um dos passeios guiados que participei recentemente. Essa escultura se chama Rain Man e fica na Peizazhna Alley. Ela foi feita pelo artista ucraniano Nazar Bilyk e representa perfeitamente como anda o tempo por aqui. O outono esse ano tem sido chuvoso como o do ano passado, mas estou feliz que a neve ainda não deu o ar da graça.  De acordo com o artista, a gota de chuva é o símbolo de um diálogo que conecta o homem a toda a diversidade das formas de vida. A obra é dedicada ao diálogo interno de um homem consigo próprio. Ela expressa o questionamento de um indivíduo em busca de sentidos, perguntas sem resposta de um vida inteira. Bonito né? Eu já tinha passado por essa estátua antes, mas nunca tinha fotografado e foi bom porque agora ela faz ainda mais sentido pra mim. Existencialismos à parte, vou tentar pelo menos terminar de escrever os posts que estão no rascunho durante o inverno que está quase chegando por aqui.