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Literatura

Cotidiano, Cultura

Eu procrastino, tu procrastinas?

January 16, 2019

Primeiro mês do ano e aquele pensamento de “o que vou fazer esse ano?”, avaliação sobre “o que fiz no ano passado?” tomam conta da nossa mente não é? Então, achei que esse era um bom post para tirar do rascunho. Planejar é uma coisa, partir para ação já é outra história e no meio mora a famosa procrastinação.

Quando fui para Moscou no ano passado, visitei o Center of Photography The Lumiere Brothers e uma das exposições que estavam lá era do fotógrafo japonês Ikuru Kuwajima. Ele se inspirou no livro “Eu, Oblomov”, escrito por Ivan Goncharov em meados do século XIX, para criar essa série fotográfica cujo tema é justamente a tal da procrastinação que ganhou o nome de “oblomovismo” na Rússia por conta do personagem principal dessa história.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Visita guiada ao Museu Bulgákov

August 7, 2018

Em março, participei de uma visita guiada ao Museu do Bulgákov que funciona na casa onde o escritor e sua família viveram entre 1906 e 1919. A casa localiza-se na histórica rua Andriyivsky Uzviz. Eu ainda não tinha visitado esse museu porque queria ao menos ler algo do escritor antes de conhecer a casa onde ele morou. Em 2016, li “O mestre e Margarida”, sua obra mais famosa. Fiquei bem animada quando fiquei sabendo sobre essa visita guiada. Já adianto que adorei conhecer a casa por dentro e compartilho as minhas fotos preferidas.

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Cotidiano, Cultura

Tudo se Ilumina – Jonathan Safran Foer

May 14, 2018

Esse post não é uma resenha sobre esse livro, mas um relato sobre a minha experiência de leitura. Demorei um bocado para terminar de lê-lo porque ele é extremamente metafórico e eu não estava com a minha capacidade de abstração completamente liberada. Apesar disso, ainda consegui captar bastante coisa. Insisti na leitura porque não gosto de abandonar livro, mas isso mudou graças a essa leitura. Desconfio que talvez seja exatamente esse um dos efeitos que o Jonathan Safran Foer quis causar no leitor.

“Tudo se Ilumina” é o primeiro livro dele e foi resultado de uma viagem que ele fez para a Ucrânia com o intuito de expandir sua tese, após a conclusão da licenciatura em Filosofia. Ele também escreveu “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (também adaptado para o cinema) e “Comer Animais”. O cara tem um talento e uma sensibilidade incrível com as palavras. Ele consegue construir umas metáforas belíssimas. Só lendo mesmo pra entender.

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Cultura

A Vênus das Peles – Leopold von Sacher-Masoch

March 22, 2017

Em fevereiro, li mais um livro que tem relação com a Ucrânia. O escritor Leopold von Sacher-Masoch nasceu em Lviv (que se chamava Lemberg) em 1836 e, nessa época, a cidade fazia parte do império Austro-Húngaro. Você pode nunca ter ouvido falar desse livro ou desse autor, mas com certeza conhece o termo masoquismo. Pois bem, esse é o tema central de “A vênus das peles”, porém ainda não existia um nome para essa tendência em 1870, ano de lançamento do livro que imortalizou Masoch. O psiquiatra Richard von Krafft-Ebing foi o responsável por criar o termo que deriva do nome de Masoch e seu trabalho repercutiu nos meios intelectuais e literários de todo o mundo ocidental. Em 1905, Freud publicou os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” e usou o mesmo termo, popularizando-o de vez.

A história de Masoch também serviu de inspiração para a música “Venus in Furs” da banda Velvet Underground. Essa música é uma das faixas do famoso “disco da banana” e esse vinil lindo da foto abaixo foi comprado aqui em Kiev. Confesso que só fui descobrir a conexão entre o livro e a música depois que visitei o bar temático que leva o nome do autor e fica em Lviv, sua cidade natal. Aí pronto, me senti na obrigação de ler o livro neh!

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Cultura

Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch

February 21, 2017

Mês passado li o aclamado livro da jornalista Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015. Ela nasceu na Ucrânia em 1948, mas viveu boa parte da sua vida na Belarús (ou Bielorrússia). O livro traz depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas completamente transformadas pelo acidente nuclear ocorrido em abril de 1986. Em 2016, a editora Companhia das Letras o publicou pela primeira vez no Brasil e eu tenho algumas críticas a fazer a essa edição. Me pareceu que a editora quis pegar carona no hype do Nobel e publicou o livro sem atualizações, o que induz a um raciocínio equivocado por parte dos leitores. A primeira publicação de Vozes de Tchernóbil é de 1997, ou seja, a edição brasileira foi publicada quase 20 anos depois e, de todas as resenhas que assisti no You Tube, nenhuma mencionou isso. Convenhamos que em 20 anos muitas coisas aconteceram, não é mesmo?

Provavelmente, muitas pessoas que foram entrevistadas pela autora nem estão mais vivas. A nota histórica que abre o livro está tão desatualizada que se torna completamente desnecessária. O projeto do abrigo para cobrir o reator número 4 citado nessa nota ficou pronto em novembro do ano passado (o vídeo abaixo é um documentário da BBC sobre a construção do abrigo) e não há nenhuma menção sobre isso. Daí em muitas resenhas que assisti as pessoas falam como se o reator estivesse lá abandonado com a mesma cobertura construída às pressas em 1986. A editora simplesmente traduziu o livro do jeitinho que ele foi publicado em 1997 e acrescentou somente o discurso que a autora fez na cerimônia do Prêmio Nobel em dezembro de 2015. Acho que um livro de não-ficção merece um trabalho mais cuidadoso no que diz respeito a notas mais esclarecedoras e atualizadas.

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Cultura

Dois livros: Os Russos e Um diário russo

February 13, 2017

Vamos tirar a poeira desse blog? Vaaaamos! Bom, continuo a minha jornada de leituras relacionadas à Ucrânia e de imersão na cultura eslava. No final do ano passado, li o livro do autor Angelo Segrillo sobre os russos. A Editora Contexto tem uma coleção dedicada a vários povos e, como não há um livro específico sobre os ucranianos, li esse sobre os russos que inevitavelmente fala um pouco sobre a Ucrânia, já que toda a história começou aqui em Kiev. Angelo Segrillo é professor de História Contemporânea na USP e especialista em Rússia e URSS. Ele morou e estudou na Rússia e escreveu diversos livros sobre o país. Esse livro é bem legal para o leitor ter uma ideia geral sobre a cultura, a história, a geografia e os costumes russos, alguns deles compartilhados pelos ucranianos.

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Cultura

Mikhail Bulgákov – O Mestre e Margarida

September 12, 2016

No início desse mês terminei a minha primeira leitura de um autor ucraniano e, conforme prometido, vim aqui compartilhar mais uma experiência de imersão na cultura ucraniana (filosofei agora hein!). Escolhi “O Mestre e Margarida” para começar minha jornada na literatura ucraniana simplesmente porque ele é considerado um dos mais importantes e cultuados livros do século XX. Ele está na lista de livros favoritos de David Bowie, Patti Smith, Daniel Radcliffe (eterno Harry Potter) e inspirou Mick Jagger a compor “Sympathy for the Devil”, um clássico do rock. Franz Ferdinand e Pearl Jam também têm músicas inspiradas nessa história.

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Cultura

O primeiro livro russo a gente nunca esquece

April 12, 2016

Uma das coisas que estava nos meus planos quando me mudei para cá era ler mais por diversão, já que em Brasília todo o meu tempo livre era dedicado a estudar para concursos. Estou conseguindo colocar esse plano em prática e resolvi que esse momento da minha vida era perfeito para mergulhar na literatura russa. Pois é, eu nunca tinha lido nenhum autor russo, mas nunca é tarde para começar, não é mesmo? “Mas você mora na Ucrânia, porque não escolheu um autor ucraniano?”. Bom, os autores ucranianos estão sim nos meus planos, porém acabei caindo na literatura russa meio que por acaso. Ano passado, resolvi assistir “Anna Karenina” e me decepcionei tanto com o filme que pensei “Não é possível que o livro seja tão ruim quanto essa adaptação”. E foi assim que resolvi comprar o livro e tirar minhas próprias conclusões sobre essa obra do renomado autor Leon Tolstói.

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Cultura

O que o heavy metal me ensinou sobre a Ucrânia?

November 12, 2015

Durante a minha adolescência, ouvi muito heavy metal, metal melódico, grunge, punk rock, indie rock, rock nacional, etc. E uma das bandas que eu ouvia muito era a britânica Iron Maiden. Daí estava eu lendo as postagens do Facebook quando me deparo com essa notícia compartilhada por um colega que estudou comigo no Ensino Médio. Como ninguém fez isso antes?! O Iron Maiden tem várias músicas sobre episódios históricos e nos dias de hoje é infinitamente mais fácil pesquisar sobre os fatos que serviram de inspiração para as letras dessas músicas. Terminei o Ensino Médio em 1998 (sim, sou velha) e a internet era bem diferente naquela época, minha gente (conexão discada, não existia You Tube, primórdios do mp3…). Então, vamos aproveitar o fácil acesso a informações para ampliar nossos conhecimentos de forma bem mais divertida.

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