Cotidiano, Cultura

Tudo se Ilumina – Jonathan Safran Foer

May 14, 2018

Esse post não é uma resenha sobre esse livro, mas um relato sobre a minha experiência de leitura. Demorei um bocado para terminar de lê-lo porque ele é extremamente metafórico e eu não estava com a minha capacidade de abstração completamente liberada. Apesar disso, ainda consegui captar bastante coisa. Insisti na leitura porque não gosto de abandonar livro, mas isso mudou graças a essa leitura. Desconfio que talvez seja exatamente esse um dos efeitos que o Jonathan Safran Foer quis causar no leitor.

“Tudo se Ilumina” é o primeiro livro dele e foi resultado de uma viagem que ele fez para a Ucrânia com o intuito de expandir sua tese, após a conclusão da licenciatura em Filosofia. Ele também escreveu “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” (também adaptado para o cinema) e “Comer Animais”. O cara tem um talento e uma sensibilidade incrível com as palavras. Ele consegue construir umas metáforas belíssimas. Só lendo mesmo pra entender.

Bom, a história se passa na Ucrânia e foi o que me levou a assistir o filme logo que me mudei pra cá. Escrevi sobre ele nesse post. A adaptação foi feita com base em apenas uma das três partes do livro. O filme é bem mais fácil de acompanhar em comparação com o livro. Optei por ler na língua original porque faz muito mais sentido, inclusive o próprio título faz muito mais sentido em inglês por conta do contexto e do personagem que diz essa frase.

Tenho procurado ler livros de autores de língua inglesa na língua original porque acho que muitos significados se perdem na tradução. Talvez o fato de eu ter lido em língua estrangeira tenha dificultado um pouco essa minha imersão nas metáforas. Ao mesmo tempo, essa dificuldade tem tudo a ver com a história, já que reflete o que os personagens estavam vivendo.

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Essa história relata uma busca iniciada por uma fotografia que leva um dos personagens principais à Ucrânia. Ou seja, fala muito comigo por motivos óbvios. Assim como o livro do Jonathan Safran Foer, esse blog é um grande retrato de uma busca. No meio dessa busca, Jonathan (personagem/autor) encontra pessoas que vão acompanhá-lo e ajudá-lo a encontrar o que procura e todos voltam transformados depois desse encontro e dessa jornada. O que exatamente eles encontram? Você terá que ler para descobrir.

Terminei a leitura há meses, mas a história ainda ecoa na minha mente. Tenho certeza que vou reler esse livro daqui a uns anos e ele fará ainda mais sentido. Definitivamente, é daquelas histórias que devem ser relidas em diferentes momentos da vida e cada vez você vai entender mais coisas. Algum tempo depois que terminei, fiquei sabendo que um artista chamado Wolney Fernandes estava fazendo um projeto de leitura desse livro e todo dia ele fazia stories de cada capítulo no instagram. Ele trabalha com colagens e é um artista incrível que eu não conhecia e talvez nunca tivesse dado atenção se não fosse por conta dessa história. Esses stories estão disponíveis no canal do Wolney no YouTube e vale a pena conferir as colagens que ele criou e a forma como ele interpretou as palavras do Jonathan Safran Foer.

Não é incrível todas as conexões que é possível fazer a partir de uma experiência? Certeza que não sou só eu que fico deslumbrada com essas coisas, tanto que os livros do Jonathan Safran Foer foram premiados e adaptados para o cinema, aumentando o alcance de suas histórias, de suas mensagens. Vale a pena conferir a entrevista dele no vídeo abaixo falando sobre o livro.

Alguém aí já leu essa obra? Já assistiu o filme? Ou leu algum outro livro desse autor? Me conta nos comentários como foi sua experiência. Eu nem ia fazer post sobre esse livro porque, logo que terminei de ler, não tive a sensação de que tinha absorvido bem o que o autor quis dizer e não me achava capaz de falar sobre ele. Mas depois dos stories do Wolney, e depois de várias reflexões sobre a vida, as coisas se iluminaram e eu achei que valia a pena sim fazer um post sobre essa experiência. A sensação é meio essa de que você está no escuro, mas depois começa a entrar uma luzinha e depois vem aquela iluminação total de compreensão. Foi o que eu tentei passar com a foto que abre esse post. O livro está justamente na faixa iluminada e a escolha do preto e branco foi de propósito para ficar mais evidente o contraste entre luz e sombra. O importante é estar aberto para deixar a luz entrar.

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  • Ana Barros May 21, 2018 at 4:17 pm

    Não conhecia, seu post me despertou a vontade de ler. Fui até ver o canal no youtube do Wolney, mas não quero estragar a surpresar. Vou comprar para ler, talvez em inglês, mas acredito que posso aproveitar muito mais se ler em português.

    Vou ler depois te chamo para comentarmos <3
    Adorei a dica 🙂

    • Alessandra Araújo May 24, 2018 at 1:02 pm

      Oi Ana! Leia em português mesmo, parece que a tradução ficou boa. Se quiser assistir o filme primeiro, não vai estragar em nada sua experiência de leitura e é um filme muito legal. Beleza, comenta mesmo depois que você ler.

  • Ana May 24, 2018 at 1:22 pm

    Fiquei curiosa sobre a história e já vou anotar o nome do livro para ler em algum momento no futuro! Eu também gosto de ler autores estonianos ou histórias que se passam na Estônia, mas tem que ser a versão traduzida mesmo, haha. Li uma vez um artigo sobre como um livro muda depois de traduzido e editado, que refletia sobre o que estávamos realmente lendo; o que o escritor quis dizer, o que o tradutor entendeu ou o que a editora quis publicar? Enfim, assunto complicado. Mas estou adorando ler seus posts! E as fotos também.
    Beijos!

    • Alessandra Araújo May 26, 2018 at 4:58 pm

      Oi Ana, seja bem vinda! Preferi ler em inglês também para treinar a língua, afinal a gente nunca pára de aprender neh. Sempre que posso, tento ler autores de língua inglesa na versão original. Obrigada por comentar! Beijos.

  • Izzy May 28, 2018 at 10:40 pm

    Mandou muito bem na foto que abre o post, Alê! Adoro essas referências e associações. 🙂
    Eu não conhecia o autor e ainda não assisti aos filmes derivados (nem o do Frodo!). O livro me chamou a atenção e já salvei no meu goodreads (você tem?) para uma futura leitura (a pilha só cresce, Alê, me ajuda). Mas acho que vou começar pelo filme do Frodo, traduzido belamente para “uma vida iluminada”!
    Abraço!

    • Alessandra Araújo June 25, 2018 at 8:14 pm

      Isso, assiste o filme que é bem legal! Eu tenho um good reads abandonado desde 2007 eu acho. Minha pilha de livros por ler também é imensa, mas tento não me desesperar hehe vários livros comprados e pacientemente esperando na estante…

  • Uma obsessão chamada “DARK” – Um Novo Destino July 15, 2020 at 9:12 am

    […] uma sessão de psicanálise. Adoro esse contraponto entre luz e sombras e já comentei sobre isso aqui e […]