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Cultura

Cotidiano, Cultura, Kiev

Outono Misterioso

November 30, 2017
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Todo ano eu faço as fotos do outono, minha estação preferida. Porém, as únicas fotos de outono que consegui fazer esse ano foram durante um passeio guiado sobre os mistérios de Kiev. Passei boa parte de outubro viajando pela Nova Zelândia e Austrália e encontrei um outono extremamente chuvoso quando voltei pra casa. Além disso, tinha uns freelas pendentes para entregar e acabei não saindo para fazer as tradicionais fotos outonais.

Participei desse passeio guiado alguns dias antes do Halloween ou dia das bruxas e foi muito legal descobrir cantinhos e histórias misteriosas sobre Kiev. A capital ucraniana é muito conhecida por suas igrejas de cúpulas douradas, mas o que nem todo mundo sabe, é que a cidade é cheia de lendas relacionadas ao mundo sobrenatural.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Only happy when it rains

November 21, 2017
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Alguém na área? Antes que eu complete 3 meses sem dar notícia por aqui, resolvi dar uma limpada nas teias de aranha deste blog. A boa notícia é que ando fotografando bastante e por isso o blog acabou ficando de lado. Teve uma viagem para terras longínquas também nesse tempo de sumiço. Ando participando de uns passeios guiados por Kiev também, mas ainda não deu pra sentar e escrever sobre o que tenho aprendido. Quem tem blog sabe que dá trabalho para escrever um post, não é simplesmente jogar um monte de palavras ou copiar e colar um texto qualquer da internet. Pelo menos esse não é o jeito que eu faço. Todo o conteúdo que posto aqui saiu da minha cabecinha e é fruto de muita pesquisa e muitas revisões de texto. Fora as fotos também feitas e editadas por mim. Ou seja, cada post leva umas boas horas para serem produzidos e eu não recebo nenhuma compensação financeira para isso.

A foto acima foi feita durante um dos passeios guiados que participei recentemente. Essa escultura se chama Rain Man e fica na Peizazhna Alley. Ela foi feita pelo artista ucraniano Nazar Bilyk e representa perfeitamente como anda o tempo por aqui. O outono esse ano tem sido chuvoso como o do ano passado, mas estou feliz que a neve ainda não deu o ar da graça.  De acordo com o artista, a gota de chuva é o símbolo de um diálogo que conecta o homem a toda a diversidade das formas de vida. A obra é dedicada ao diálogo interno de um homem consigo próprio. Ela expressa o questionamento de um homem em busca de sentidos, perguntas sem resposta de um vida inteira. Bonito né? Eu já tinha passado por essa estátua antes, mas nunca tinha fotografado e foi bom porque agora ela faz ainda mais sentido pra mim. Existencialismos à parte, vou tentar pelo menos terminar de escrever os posts que estão no rascunho durante o inverno que está quase chegando por aqui.

Cotidiano, Cultura, Kiev

Videoclipes Made in Ukraine

June 22, 2017
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Tirando a poeira dessa casinha virtual que ficou abandonada nas últimas semanas. Voltei de viagem no último domingo com energias renovadas e muuuuitas fotos para editar. Fiz um intervalinho nas edições para compartilhar algo que descobri recentemente. Primeiro, deixa eu contextualizar. De vez em quando eu ando pelo meu bairro e vejo uns camarins e uma equipe gravando algum vídeo. Inclusive, em frente à porta do meu prédio fica um apartamento que direto é usado como locação. Sempre fico curiosa para saber o que eles estão gravando e ontem eu finalmente descobri que existe uma grande empresa de produção de filmes aqui em Kiev chamada Radioaktive Film. Ela produz cinema, programas de TV, comerciais, videoclipes e fotos para clientes espalhados pelo mundo e possui locações na Ucrânia, Geórgia e Kazaquistão. Nesse post vou focar apenas nos videoclipes porque fiquei bem surpresa ao descobrir que eles foram feitos aqui.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Eurovision e as Polêmicas

May 8, 2017
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Ontem aconteceu em frente ao Mariyinsky Palace a cerimônia de abertura do Eurovision, a maior competição musical da Europa que acontece todo ano, cada vez em um país diferente. A edição deste ano está sendo realizada na Ucrânia, pois a cantora ucraniana Jamala venceu a competição no ano passado e Kiev foi a cidade escolhida para receber esse evento que é transmitido pela TV e pela internet para todos os países da Europa. Clique aqui para ler o post que escrevi no ano passado sobre a vitória de Jamala e a polêmica por conta da música que ela apresentou.

A partir do momento que fiquei sabendo que Jamala havia vencido a competição e que o evento seria realizado na Ucrânia esse ano, eu sabia que ele viria acompanhado de polêmicas. Dito e feito. A Rússia não ficou nada satisfeita por seu representante ter perdido a competição para uma artista ucraniana e chegou a propor um boicote ao evento desse ano. No fim das contas, o país resolveu participar da competição, mas a artista escolhida para representar o país gerou a primeira polêmica, que resultou na não participação da Rússia no Eurovision 2017. Agora senta que lá vem história, pois vou explicar porquê isso aconteceu.

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Cotidiano, Cultura

Minha primeira pêssanka

April 1, 2017
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Essa semana participei de um workshop de pêssanka (писанка) que são os ovos de Páscoa ucranianos. Comentei nesse post que na Ucrânia não existe o costume de presentear com ovos de chocolate, mas sim com esses ovinhos pintados à mão. A professora Zoya Viktorovna Stashuk explicou um pouco sobre a história e os símbolos da pêssanka e ensinou a técnica de pintura dos ovinhos.

O nome писанка deriva do verbo писати (pissati) que significa escrever. Cada símbolo escrito no ovinho tem um significado e o próprio ovo é o símbolo da vida. Cada pêssanka carrega uma mensagem escrita por meio dos símbolos pintados à mão. E todos os símbolos têm significados positivos, então quando você presenteia uma pessoa querida com uma pêssanka, você entrega a ela uma mensagem positiva.

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Cultura

A Vênus das Peles – Leopold von Sacher-Masoch

March 22, 2017
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Em fevereiro li mais um livro que tem relação com a Ucrânia. O escritor Leopold von Sacher-Masoch nasceu em Lviv (que se chamava Lemberg) em 1836 e, nessa época, a cidade fazia parte do império Austro-Húngaro. Você pode nunca ter ouvido falar desse livro ou desse autor, mas com certeza conhece o termo masoquismo. Pois bem, esse é o tema central de “A vênus das peles”, porém ainda não existia um nome para essa tendência em 1870, ano de lançamento do livro que imortalizou Masoch. O psiquiatra Richard von Krafft-Ebing foi o responsável por criar o termo que deriva do nome de Masoch e seu trabalho repercutiu nos meios intelectuais e literários de todo o mundo ocidental. Em 1905, Freud publicou os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” e usou o mesmo termo, popularizando-o de vez.

A história de Masoch também serviu de inspiração para a música “Venus in Furs” da banda Velvet Underground. Essa música é uma das faixas do famoso “disco da banana” e esse vinil lindo da foto abaixo foi comprado aqui em Kiev. Confesso que só fui descobrir a conexão entre o livro e a música depois que visitei o bar temático que leva o nome do autor e fica em Lviv, sua cidade natal. Aí pronto, me senti na obrigação de ler o livro neh!

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Cultura

Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch

February 21, 2017
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Mês passado li o aclamado livro da jornalista Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015. Ela nasceu na Ucrânia em 1948, mas viveu boa parte da sua vida na Belarús (ou Bielorrússia). O livro traz depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas completamente transformadas pelo acidente nuclear ocorrido em abril de 1986. Em 2016, a editora Companhia das Letras o publicou pela primeira vez no Brasil e eu tenho algumas críticas a fazer a essa edição. Me pareceu que a editora quis pegar carona no hype do Nobel e publicou o livro sem atualizações, o que induz a um raciocínio equivocado por parte dos leitores. A primeira publicação de Vozes de Tchernóbil é de 1997, ou seja, a edição brasileira foi publicada quase 20 anos depois e, de todas as resenhas que assisti no You Tube, nenhuma mencionou isso. Convenhamos que em 20 anos muitas coisas aconteceram, não é mesmo?

Provavelmente, muitas pessoas que foram entrevistadas pela autora nem estão mais vivas. A nota histórica que abre o livro está tão desatualizada que se torna completamente desnecessária. O projeto do abrigo para cobrir o reator número 4 citado nessa nota ficou pronto em novembro do ano passado (o vídeo abaixo é um documentário da BBC sobre a construção do abrigo) e não há nenhuma menção sobre isso. Daí em muitas resenhas que assisti as pessoas falam como se o reator estivesse lá abandonado com a mesma cobertura construída às pressas em 1986. A editora simplesmente traduziu o livro do jeitinho que ele foi publicado em 1997 e acrescentou somente o discurso que a autora fez na cerimônia do Prêmio Nobel em dezembro de 2015. Acho que um livro de não-ficção merece um trabalho mais cuidadoso no que diz respeito a notas mais esclarecedoras e atualizadas.

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Cultura

Dois livros: Os Russos e Um diário russo

February 13, 2017
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Vamos tirar a poeira desse blog? Vaaaamos! Bom, continuo a minha jornada de leituras relacionadas à Ucrânia e de imersão na cultura eslava. No final do ano passado li o livro do autor Angelo Segrillo sobre os russos. A Editora Contexto tem uma coleção dedicada a vários povos e, como não há um livro específico sobre os ucranianos, li esse sobre os russos que inevitavelmente fala um pouco sobre a Ucrânia, já que toda a história começou aqui em Kiev. Angelo Segrillo é professor de História Contemporânea na USP e especialista em Rússia e URSS. Ele morou e estudou na Rússia e escreveu diversos livros sobre o país. Esse livro é bem legal para o leitor ter uma ideia geral sobre a cultura, a história, a geografia e os costumes russos, alguns deles compartilhados pelos ucranianos.

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Cultura, Kiev

Visita ao Holodomor Museum

November 28, 2016
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Na última quarta-feira, visitei o memorial às vítimas do Holodomor, o genocídio de ucranianos provocado por Stalin entre 1932 e 1933. Голодомор (holodomor) foi uma fome provocada que exterminou entre 7 a 10 milhões de ucranianos, não se sabe o número exato por conta da ausência de registros. Голод significa fome, a causa da morte desses milhões de ucranianos que tiveram toda sua produção agrícola confiscada por uma política adotada por Stalin, que não queria que houvesse propriedade privada. Essa ideia de coletivização da União Soviética não era nada popular entre os camponeses ucranianos. Além disso, ele temia que o movimento de independência ucraniano ganhasse força e atrapalhasse seus planos. Os bolcheviques queriam que a Ucrânia fizesse parte da Rússia, mas a nação queria ser independente e durante o período soviético se tornou uma República Socialista Soviética.

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Cotidiano, Cultura

Os desafios de aprender uma nova língua

November 2, 2016
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Quando escrevi o post de comemoração de um ano vivendo na Ucrânia, comentei sobre a minha dificuldade com a língua. Após dois anos vivendo em Kiev, continuo não falando ucraniano, mas já consigo me comunicar bem melhor do que há um ano. Estou estudando com uma professora particular desde julho e agora a evolução está bem mais rápida. Terminei o curso do Duolingo recentemente e posso garantir que ele não é suficiente. Não foi tempo perdido, já que ele me ajudou bastante, mas estudar com um professor faz muito mais efeito.

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