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Cultura

Cotidiano, Cultura, Kiev

Videoclipes Made in Ukraine

June 22, 2017
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Tirando a poeira dessa casinha virtual que ficou abandonada nas últimas semanas. Voltei de viagem no último domingo com energias renovadas e muuuuitas fotos para editar. Fiz um intervalinho nas edições para compartilhar algo que descobri recentemente. Primeiro, deixa eu contextualizar. De vez em quando eu ando pelo meu bairro e vejo uns camarins e uma equipe gravando algum vídeo. Inclusive, em frente à porta do meu prédio fica um apartamento que direto é usado como locação. Sempre fico curiosa para saber o que eles estão gravando e ontem eu finalmente descobri que existe uma grande empresa de produção de filmes aqui em Kiev chamada Radioaktive Film. Ela produz cinema, programas de TV, comerciais, videoclipes e fotos para clientes espalhados pelo mundo e possui locações na Ucrânia, Geórgia e Kazaquistão. Nesse post vou focar apenas nos videoclipes porque fiquei bem surpresa ao descobrir que eles foram feitos aqui.

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Cotidiano, Cultura, Kiev

Eurovision e as Polêmicas

May 8, 2017
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Ontem aconteceu em frente ao Mariyinsky Palace a cerimônia de abertura do Eurovision, a maior competição musical da Europa que acontece todo ano, cada vez em um país diferente. A edição deste ano está sendo realizada na Ucrânia, pois a cantora ucraniana Jamala venceu a competição no ano passado e Kiev foi a cidade escolhida para receber esse evento que é transmitido pela TV e pela internet para todos os países da Europa. Clique aqui para ler o post que escrevi no ano passado sobre a vitória de Jamala e a polêmica por conta da música que ela apresentou.

A partir do momento que fiquei sabendo que Jamala havia vencido a competição e que o evento seria realizado na Ucrânia esse ano, eu sabia que ele viria acompanhado de polêmicas. Dito e feito. A Rússia não ficou nada satisfeita por seu representante ter perdido a competição para uma artista ucraniana e chegou a propor um boicote ao evento desse ano. No fim das contas, o país resolveu participar da competição, mas a artista escolhida para representar o país gerou a primeira polêmica, que resultou na não participação da Rússia no Eurovision 2017. Agora senta que lá vem história, pois vou explicar porquê isso aconteceu.

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Cotidiano, Cultura

Minha primeira pêssanka

April 1, 2017
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Essa semana participei de um workshop de pêssanka (писанка) que são os ovos de Páscoa ucranianos. Comentei nesse post que na Ucrânia não existe o costume de presentear com ovos de chocolate, mas sim com esses ovinhos pintados à mão. A professora Zoya Viktorovna Stashuk explicou um pouco sobre a história e os símbolos da pêssanka e ensinou a técnica de pintura dos ovinhos.

O nome писанка deriva do verbo писати (pissati) que significa escrever. Cada símbolo escrito no ovinho tem um significado e o próprio ovo é o símbolo da vida. Cada pêssanka carrega uma mensagem escrita por meio dos símbolos pintados à mão. E todos os símbolos têm significados positivos, então quando você presenteia uma pessoa querida com uma pêssanka, você entrega a ela uma mensagem positiva.

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Cultura

A Vênus das Peles – Leopold von Sacher-Masoch

March 22, 2017
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Em fevereiro li mais um livro que tem relação com a Ucrânia. O escritor Leopold von Sacher-Masoch nasceu em Lviv (que se chamava Lemberg) em 1836 e, nessa época, a cidade fazia parte do império Austro-Húngaro. Você pode nunca ter ouvido falar desse livro ou desse autor, mas com certeza conhece o termo masoquismo. Pois bem, esse é o tema central de “A vênus das peles”, porém ainda não existia um nome para essa tendência em 1870, ano de lançamento do livro que imortalizou Masoch. O psiquiatra Richard von Krafft-Ebing foi o responsável por criar o termo que deriva do nome de Masoch e seu trabalho repercutiu nos meios intelectuais e literários de todo o mundo ocidental. Em 1905, Freud publicou os “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” e usou o mesmo termo, popularizando-o de vez.

A história de Masoch também serviu de inspiração para a música “Venus in Furs” da banda Velvet Underground. Essa música é uma das faixas do famoso “disco da banana” e esse vinil lindo da foto abaixo foi comprado aqui em Kiev. Confesso que só fui descobrir a conexão entre o livro e a música depois que visitei o bar temático que leva o nome do autor e fica em Lviv, sua cidade natal. Aí pronto, me senti na obrigação de ler o livro neh!

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Cultura

Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch

February 21, 2017
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Mês passado li o aclamado livro da jornalista Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015. Ela nasceu na Ucrânia em 1948, mas viveu boa parte da sua vida na Belarús (ou Bielorrússia). O livro traz depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas completamente transformadas pelo acidente nuclear ocorrido em abril de 1986. Em 2016, a editora Companhia das Letras o publicou pela primeira vez no Brasil e eu tenho algumas críticas a fazer a essa edição. Me pareceu que a editora quis pegar carona no hype do Nobel e publicou o livro sem atualizações, o que induz a um raciocínio equivocado por parte dos leitores. A primeira publicação de Vozes de Tchernóbil é de 1997, ou seja, a edição brasileira foi publicada quase 20 anos depois e, de todas as resenhas que assisti no You Tube, nenhuma mencionou isso. Convenhamos que em 20 anos muitas coisas aconteceram, não é mesmo?

Provavelmente, muitas pessoas que foram entrevistadas pela autora nem estão mais vivas. A nota histórica que abre o livro está tão desatualizada que se torna completamente desnecessária. O projeto do abrigo para cobrir o reator número 4 citado nessa nota ficou pronto em novembro do ano passado (o vídeo abaixo é um documentário da BBC sobre a construção do abrigo) e não há nenhuma menção sobre isso. Daí em muitas resenhas que assisti as pessoas falam como se o reator estivesse lá abandonado com a mesma cobertura construída às pressas em 1986. A editora simplesmente traduziu o livro do jeitinho que ele foi publicado em 1997 e acrescentou somente o discurso que a autora fez na cerimônia do Prêmio Nobel em dezembro de 2015. Acho que um livro de não-ficção merece um trabalho mais cuidadoso no que diz respeito a notas mais esclarecedoras e atualizadas.

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Cultura

Dois livros: Os Russos e Um diário russo

February 13, 2017
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Vamos tirar a poeira desse blog? Vaaaamos! Bom, continuo a minha jornada de leituras relacionadas à Ucrânia e de imersão na cultura eslava. No final do ano passado li o livro do autor Angelo Segrillo sobre os russos. A Editora Contexto tem uma coleção dedicada a vários povos e, como não há um livro específico sobre os ucranianos, li esse sobre os russos que inevitavelmente fala um pouco sobre a Ucrânia, já que toda a história começou aqui em Kiev. Angelo Segrillo é professor de História Contemporânea na USP e especialista em Rússia e URSS. Ele morou e estudou na Rússia e escreveu diversos livros sobre o país. Esse livro é bem legal para o leitor ter uma ideia geral sobre a cultura, a história, a geografia e os costumes russos, alguns deles compartilhados pelos ucranianos.

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Cultura, Kiev

Visita ao Holodomor Museum

November 28, 2016
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Na última quarta-feira, visitei o memorial às vítimas do Holodomor, o genocídio de ucranianos provocado por Stalin entre 1932 e 1933. Голодомор (holodomor) foi uma fome provocada que exterminou entre 7 a 10 milhões de ucranianos, não se sabe o número exato por conta da ausência de registros. Голод significa fome, a causa da morte desses milhões de ucranianos que tiveram toda sua produção agrícola confiscada por uma política adotada por Stalin, que não queria que houvesse propriedade privada. Essa ideia de coletivização da União Soviética não era nada popular entre os camponeses ucranianos. Além disso, ele temia que o movimento de independência ucraniano ganhasse força e atrapalhasse seus planos. Os bolcheviques queriam que a Ucrânia fizesse parte da Rússia, mas a nação queria ser independente e durante o período soviético se tornou uma República Socialista Soviética.

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Cotidiano, Cultura

Os desafios de aprender uma nova língua

November 2, 2016
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Quando escrevi o post de comemoração de um ano vivendo na Ucrânia, comentei sobre a minha dificuldade com a língua. Após dois anos vivendo em Kiev, continuo não falando ucraniano, mas já consigo me comunicar bem melhor do que há um ano. Estou estudando com uma professora particular desde julho e agora a evolução está bem mais rápida. Terminei o curso do Duolingo recentemente e posso garantir que ele não é suficiente. Não foi tempo perdido, já que ele me ajudou bastante, mas estudar com um professor faz muito mais efeito.

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Cultura

Ucrânia no Cinema: The Babushkas of Chernobyl

October 19, 2016
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Descobri que esse documentário estava sendo produzido assim que me mudei para a Ucrânia e, desde então, aguardo ansiosamente para assistí-lo. A estréia aconteceu em 2015, mas só agora consegui encontrá-lo e não poderia deixar de escrever sobre ele. Visitei Tchernóbil em agosto do ano passado e contei como foi essa experiência nesse post. Eu sabia que havia pessoas morando e trabalhando na zona de exclusão e essas informações foram devidamente confirmadas pelo guia durante o passeio. Nesse documentário, a diretora Holly Morris mostra como é a vida dessas senhoras que escolheram voltar a viver em suas casas localizadas na zona de exclusão após o acidente nuclear de 1986.

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Cultura

Mikhail Bulgákov – O Mestre e Margarida

September 12, 2016
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No início desse mês terminei a minha primeira leitura de um autor ucraniano e, conforme prometido, vim aqui compartilhar mais uma experiência de imersão na cultura ucraniana (filosofei agora hein!). Escolhi “O Mestre e Margarida” para começar minha jornada na literatura ucraniana simplesmente porque ele é considerado um dos mais importantes e cultuados livros do século XX. Ele está na lista de livros favoritos de David Bowie, Patti Smith, Daniel Radcliffe (eterno Harry Potter) e inspirou Mick Jagger a compor “Sympathy for the Devil”, um clássico do rock. Franz Ferdinand e Pearl Jam também têm músicas inspiradas nessa história.

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