Holanda, Viagens

Uma semana em Amsterdam – Parte 2

February 15, 2016

Continuando o relato sobre a nossa visita à Amsterdam, fizemos o passeio de barco pelos canais, uma das atrações inclusas no Holland Pass. Antes disso, tomamos café da manhã num lugar chamado La Chesa que me chamou atenção pela simpatia da senhora que atendia. Ela conhecia todos os clientes que entraram enquanto a gente ficou lá e já até sabia o pedido deles. Escolhemos esse café aleatoriamente, já que Amsterdam é cheia deles e tenho a impressão de que a chance de você entrar em um ruim é meio baixa. Para nooooooossa alegriiia, esse também foi um belo dia ensolarado e o passeio pelos canais foi bem agradável. Você recebe uns fones de ouvido e pluga na lateral do barco para escutar as informações sobre os lugares por onde ele vai passando.


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Após o passeio de barco, decidimos visitar o Museu de Ciências NEMO (#findingnemo) e foi no caminho pra lá que eu quase me afoguei no mar de bicicletas conforme foto acima. Brincadeirinhas à parte, seguimos em frente e no meio do caminho tinha o quê? Uma pedra? Não, uma biblioteca. Mas não era qualquer biblioteca, era A biblioteca. Sério, eu moraria naquele lugar. O acervo da OBA é absurdo! Além de livros sobre todos os assuntos imagináveis, tem quadrinhos, discos (MUITOS discos) de tudo que é estilo musical, acervo de partituras com uma estante destacando o Bowie, ou seja, não tem só partitura de música clássica. Além disso, há vários computadores e wi-fi para os membros usarem. Paula explicou que você paga uma taxa e tem direito a usar tudo da biblioteca. Ainda rolam umas exposições e tem também um teatro lá dentro. O gato gigante da foto abaixo era feito de tricô e é resultado de um projeto artístico onde várias senhoras participaram tricotando cada pedacinho dele.

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Nós entramos na biblioteca completamente por acaso, mas acabamos passando muito tempo lá dentro porque é muito impressionante e tem vários andares, coisa de primeiro mundo mesmo. Aliás, Amsterdam é muito moderna, a começar pelo aeroporto. É o aeroporto mais moderno que eu já visitei. Outro elemento de modernidade que vi por lá foram os vários pontos de recarga de carros elétricos. Vi também um retrato da modernidade na rua: um menino correndo feliz usando um vestido da Frozen (#letitgo). Juro que me deu vontade de dar parabéns para a mãe dele. E pra finalizar, a prostituição é legalizada. Sério, essa cidade é o futuro.

Enfim, voltando à biblioteca, acabamos decidindo almoçar por lá mesmo porque já estava ficando tarde e o NEMO fechava às 18h. Lá dentro tem uma filial do restaurante La Place e talvez fôssemos os únicos turistas que estavam ali, já que tudo estava escrito em holandês, mas a gente se virou nos trinta e conseguimos almoçar. Só então fomos para o NEMO que estava lotado de crianças como costuma acontecer em museus de ciência. Deu pra perceber que o público alvo desse museu é bem infantil mesmo porque ele é todo trabalhado na interatividade e as explicações são bem didáticas. Só tivemos uma hora e quinze minutos pra visitá-lo, então tivemos que ver tudo meio na pressa, mas deu pra aprender um pouquinho.

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Na segunda-feira, assim que acordei fiquei sabendo que o Bowie tinha partido e esse é outro motivo que deixou essa viagem inesquecível. O dia estava super escuro e chuvoso e decidimos visitar o museu do Van Gogh, mais uma atração do Holland Pass. Foi uma ótima ideia porque deu pra distrair e não ficar lamentando a morte do Bowie o dia todo. Esse museu é muuuuito interessante e tem muuuuita informação sobre o Van Gogh. Além da exposição permanente, tinha mais duas exposições acontecendo no museu: uma de artistas contemporâneos respondendo cartas do Van Gogh (When I give, I give myself) e outra que traça um paralelo entre as obras do Munch e as obras do Van Gogh. Passamos bastante tempo lá dentro vendo todas as obras e lendo tudo. Saí até zonza, mas esse museu é um must see, vale muito a pena mesmo.

Depois da overdose de Van Gogh, encontramos a Paula e mais tarde o marido dela se juntou a nós e fomos jantar no De Hallen. Ficamos hospedados ali perto e jantamos no Food Hallen quase todos os dias, pois os restaurantes em Amsterdam fecham cedo e esse local funcionava até um pouco mais tarde. O De Hallen é um mega espaço onde funcionam várias lojas de artistas e designers locais, tem cinema, tem uma praça de alimentação com vários quiosques de comida rápida, drinks e afins. Escolhemos nossa hospedagem pelo preço e acabamos descobrindo depois que aquela é uma área super descolada da cidade. Foi uma boa surpresa porque não ter que se preocupar com comida no fim do dia quando você já está super cansado não tem preço.

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Do ladinho do museu do Van Gogh fica o museu de arte moderna Stedelijk que visitamos no dia seguinte. Outro museu com um acervo enorme e que tivemos que ver meio com pressa, mas o motivo era nobre. Ao passear pela cidade vimos vários posters informando que o novo filme do Tarantino “The Hateful Eight” estava sendo exibido em 70mm no Eye Museum. Levando em conta que esse é o único cinema na região do Benelux que estaria exibindo o filme nesse formato, resolvemos assistir. A questão é que todas as sessões noturnas estavam esgotadas, então tivemos que comprar o ingresso para a sessão das 15hs. E foi por isso que não tivemos tanto tempo para ver o Stedelijk. Mesmo assim, deu pra ver bastante coisa e ainda descobri que há obras de um artista ucraniano lá: o Kazimir Malevich.

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Fizemos também um free walking tour embaixo de chuva! Uma experiência inesquecível que ficará apenas em nossa memória, já que não fizemos fotos. A prioridade era segurar o guarda-chuva e esquentar a outra mão no bolso do casaco. Depois do passeio guiado, fomos almoçar num restaurante sugerido pelo guia e foi ótimo tomar uma sopinha de ervilha tipicamente holandesa após duas horas caminhando na chuva.

Pra finalizar, visitamos a Casa de Anne Frank. Esse museu não faz parte do Holland Pass e compramos o ingresso pela internet para evitar a fila quilométrica. Confesso que li apenas trechos do “Diário de Anne Frank”, mas assisti o filme que está disponível no Netflix (versão de 2009 da BBC). Foi ótimo ter assistido esse filme porque o cenário é muito fiel à realidade, então ao entrar no museu, eu conseguia imaginar direitinho como as duas famílias viveram ali. Foi uma visita bem emocionante porque há várias telas exibindo depoimentos do pai da Anne Frank, da secretária que ajudou as famílias… Enfim, não vou ficar descrevendo muito pra não dar spoiler, mas já aviso que tive que dar uma segurada no choro em  alguns momentos. O mais impressionante é que várias pessoas entraram no anexo ao mesmo tempo, mas absolutamente ninguém ousava dizer uma palavra. Fiquei imaginando como deve ser uma visita a Auschwitz… Bem, na saída do museu tem uma lojinha que vende versões do diário em várias línguas e claro que eu trouxe um e pretendo ler esse ano. Adiei essa leitura por muito tempo, mas acho que agora ela fará muito mais sentido.

E aqui termina o relato sobre os highlights de Amsterdam. Clique aqui para ler a parte 1. No próximo post conto como foi o bate e volta para Haia.

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  • Bárbara Hernandes February 16, 2016 at 12:30 am

    Alessandra, amei seu relato sobre Amsterdã – as fotos estão lindas, como sempre, mas essa de você no “mar” de bicicletas particularmente me fez sorrir ainda mais! Amsterdã é de fato uma cidade muito moderna e interessante – eu já fui duas vezes e pretendo ir muitas outras! 🙂

    • Alessandra Araújo February 16, 2016 at 4:00 pm

      Hahahahahah tem mais bicicletas que gente naquela cidade, Bárbara! Não podia faltar uma foto onde elas são as protagonistas. Eu super pretendo ir outras vezes também. Eu já imaginava que seria interessante, mas tive certeza depois de ver tudo com meus próprios olhos.

  • Paula A. February 16, 2016 at 11:31 am

    ACABOU NADA, cadê nossas aventuras no museu do Escher? <3
    Não canso de ver essas fotos, ficaram lindas demais. Amo a sua sobre os paus de selfie, aliás! hahah. Sigo aqui esperando você anunciar sua próxima visita pra nos divertirmos juntas mais um pouco. 😉

    • Alessandra Araújo February 16, 2016 at 4:05 pm

      Calma que vai ter post só sobre Haia, gata! Paus de selfie, não sei lidar… Pode ter certeza que eu voltarei e nos divertiremos novamente. 😘 I’ll be back, baby.

  • Ana February 17, 2016 at 8:23 pm

    Delícia esse relato, Alexandra! Eu adoro o estilo de vida dessa cidade e concordo com você, Amsterdam é um exemplo de modernidade. Também adorei a visita ao museu da Anne Frank! Pra mim foi o highlight na minha primeira visita à cidade. Saí de lá com o coração em pedaços. Se eu tiver outra oportunidade, ainda volto pra Amsterdam só pra explorar mais cafés lindos!
    Bjos
    Ana

    • Alessandra Araújo February 21, 2016 at 1:33 pm

      Eu também voltarei com certeza, Ana. A cidade é uma delícia! Beijos.

  • BA MORETTI February 22, 2016 at 3:59 pm

    adoro a sensação que teus textos me trazem. é como estar na mesma viagem mas observar tudo enquanto tu narra a experiência. ao mesmo tempo que a gente sente que já conhece esse espaço, por conta do que a gente lê aqui, também bate uma necessidade de vivenciar tudo isso, com os próprios olhos sabe? que magia é essa? HAHAHAH

    e sopa de ervilha, amo forte ♥

    • Alessandra Araújo February 22, 2016 at 6:39 pm

      Que comentário mais amor, Ba! Fico feliz de conseguir despertar essa vontade de conhecer o lugar porque eu acredito que tem que ir vivenciar mesmo, tanto que eu não conto algumas coisas exatamente pra não estragar a surpresa de vê-las com os próprios olhos. A sopa de ervilha estava maaara!

  • Bate e volta de Amsterdam para Haia – Um Novo Destino February 23, 2016 at 6:57 pm

    […] encontrar completamente por acaso no dia que fizemos o passeio guiado na chuva que eu comentei no post anterior. Na foto abaixo, eu e Paula pagando de críticas de arte […]

  • Izzy February 26, 2016 at 7:49 pm

    Estou apaixonada pela sua escrita. O texto flui de forma tão suave e é tão bem detalhado! (desculpa se estou sendo chata, ok?)

    Também não sei qual palavra usar para descrever a beleza das fotos! E eu já coloquei “conhecer a OBA” como objetivo de vida. Que biblioteca linda, e ainda tem discos! Como assim?!

    Que coisa bacana esse free walking tour, o gatinho gigante, a estante com Bowie, a casa de Anne Frank. Ah, nunca tomei sopa de ervilha. Um dia eu experimento!

    • Alessandra Araújo March 7, 2016 at 6:16 pm

      Izzy, você não está sendo naaaada chata. Eu é que fico lisonjeada com seus elogios! Biblioteca com discos foi uma surpresa pra mim, por isso não podia deixar de comentar aqui.

  • Taís March 2, 2016 at 11:49 pm

    “Muitos pau de selfie nesse barco” HAHAHHA ai Alê! E tão legal tu no meio das bicicletas todas. Seus relatos e suas fotos são tão divertidas que fico aqui com mais vontade ainda de te conhecer pessoalmente! haha 🙂
    Essas fotos dessa viagem tão uma mais linda que a outra! E agora também tô aqui na vontade de ir nesses lugares todos!

    • Alessandra Araújo March 7, 2016 at 6:20 pm

      Taís, dá um jeito de ir pra Amsterdam que eu tenho certeza que você vai amaaaar! Eu sou muito besta, mas tem quem goste das minhas piadas idiotas hahaha.

  • Tag: Bloggers Out and About – Um Novo Destino March 12, 2016 at 3:08 pm

    […] da sua última viagem? O destino da minha última viagem foi Holanda e tem posts aqui no blog (Amsterdam e Haia). 4. Qual é o destino da sua próxima viagem? Serão algumas cidades da Ucrânia que […]